3 de fevereiro de 2017

Festa do Panelo - Chão da Ribeira

No Passeio das Vaidades fala-se, também, disso mesmo, vaidades e vaidosismos.
Vem esta conversa a propósito da actualmente denominada Festa do Panelo que se realiza no Chão da Ribeira, freguesia do Seixal, concelho do Porto Moniz.


O Panelo, como é assim conhecido, é uma tradição das gentes do Seixal que no domingo anterior à celebração religiosa do Santo Antão, se reuniam nos seus palheiros no Chão da Ribeira e, juntamente com as suas famílias, faziam uma espécie de cozido à portuguesa com as semilhas, batatas doces, couves e espigos e a carne de porco que tinham guardado da "Festa".
Bem, mais recentemente, e no tempo das vacas gordas, esta tradição alargou-se, fruto de alguma divulgação do antigo Director Regional das Florestas, Engº Rocha da Silva, da RTP-Madeira, e claro, do passa palavra de muita gente.
Até então, os terrenos e palheiros que pouco valor comercial tinham, passaram a ser vendidos a preço de luxo, mais caros até que um pequeno apartamento no Funchal.
Vivia-se a era dourada na Madeira. Toda a gente (ou quase toda) vivia à grande e muitos acima das suas reais possibilidades. O resto da história todos conhecem...
Mas isto para dizer, e continuando o raciocínio, que nos anos loucos, o Panelo levava ao Chão da Ribeira milhares de pessoas. Havia até quem fizesse o Panelo em dois domingos tal era a quantidade de amigos, familiares, conhecidos (e alguns penetras) que tinham para participar no repasto. A coisa só não se tornou num arraial porque algumas pessoas da junta de freguesia e da câmara municipal não permitiram que dezenas de autocarros em excursão acedessem ao local. Bem tentaram por diversas vezes.
Até que, veio a maldita da crise.
Proprietários afogados em dificuldades, gente emigrada, desemprego, e todas aquelas dificuldades que a malta bem conhece, retiraram do Panelo milhares de pessoas, e devolveram ao Panelo algumas das características originais. Muitos proprietários deixaram inclusive de fazer o célebre cozido. Alguns, invejosos, que nunca gostaram de muitas misturas, passaram a fazer o Panelo fora da data assinalada.


No entanto, as coisas melhoraram e nota-se já um retorno de muitas pessoas ao Chão da Ribeira.
Como habitualmente, o madeirense fazendo jus à sua característica de se fazer notar e mostrar, vai de armas e bagagens para o cozido à portuguesa à moda do Chão da Ribeira. Para alguns é mais poncha do que propriamente cozido. E lá vão "armados" com chapéus de arraial (está na moda), smartphone para as selfies, e toca a se "cagar" para o facebook e instragram.
Uns pagam 10€, os penetras não pagam nada e comem e bebem na mesma, outros pagam 20€ que é por causa de pagar o que os penetras consumiram e não pagaram, e outros ainda pagam 25€ que é por causa de compensar os convidados que o proprietário do terreno ou do palheiro levou, e que, claro, não pagaram nada. Mas bico, senão para o ano não há nada para ninguém...
E assim regressa a casa o madeirense vaidoso, feliz e contente, arrotando a poncha, os espigos e a carne de porco...
Para o ano há mais!