31 de julho de 2012

Merkel, Draghi e Junker - Três Magníficos

Angela Merkel: quando a falência da Lehman Brothers americana, em setembro de 2008, atingiu a holding financeira alemã Hypo Real Estate, a chanceler meteu lá dez mil milhões de euros dos contribuintes e deu garantias do Estado alemão para empréstimos no valor de mais 145 mil milhões.


As coisas correram mal e em 2009 o banco foi nacionalizado. O ano passado Merkel, sempre hesitante em apoiar financiamentos a outros, convenceu a Comissão Europeia a emprestar ao Hypo 175 mil milhões de euros (mais 105 mil milhões do que o empréstimo concedido pela troika a Portugal) em troca do fecho de algumas atividades.

Algumas semanas depois desse empréstimo ter sido acordado, a Alemanha informou, sem espoletar qualquer escândalo, que um "erro contabilístico" nas contas anteriores de um dos bancos da holding iria permitir entregar de volta aos cofres do Estado alemão 55,5 mil milhões de euros. Espantoso.

Mario Draghi: antes de ser presidente do Banco Central Europeu, este italiano teve, entre 2002 e 2005, funções de vice-presidente da Goldman Sachs para a Europa. Este banco de investimento gigantesco, e um dos protagonistas "sinistros" da crise financeira mundial, contava com o italiano para lidar com os problemas provocados pelas dívidas soberanas.

Draghi, que desmentiu ter assumido esse pelouro na Goldman Sachs - onde, depois de sair, passou a consultor -, é, no entanto, colocado pelo jornal Le Monde como um dos protagonistas da arquitetura de créditos que permitiu, nesses anos, aos governantes gregos mascararem as contas do país, ainda hoje o principal pretexto moral para que os gregos não sejam decisivamente ajudados pelos seus parceiros europeus.

Jean-Claude Junker: é presidente do Eurogrupo. É primeiro-ministro do Luxemburgo desde 1995 - há 17 anos! Antes, teve inúmeros outros cargos importantes. Estes são os que interessam para o caso: governador do Banco Mundial, governador do FMI e governador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento. É, portanto, um homem do lado aparentemente suave do sistema financeiro que, no entanto, nos está a arruinar. Foi um dos arquitetos do Tratado de Maastricht e tem sempre palavras a favor do euro.


Estas personalidades lideram agora a discussão sobre o que fazer para salvar o euro. Inspiram confiança? Não. Têm um comportamento politicamente exemplar? Tenho dúvidas. Os interesses que servem são, demonstra-se, incompatíveis. E, no entanto, são pessoas como estas que decidem como vamos viver nos próximos anos. Estamos tramados.










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