30 de outubro de 2012

Miguel Albuquerque - Que futuro?!?

As eleições internas do PSD aproximam-se a passos largos.
É já na próxima sexta feira  que os militantes dessa organização política que possuam as quotas pagas, e em dia, poderão eleger, pela primeira vez desde que Alberto João Jardim foi eleito presidente do PPD/PSD, de entre dois candidatos.
O homem que teve a "coragem" de enfrentar o "grande líder", o "único importante", é o atual Presidente do Município do Funchal, Miguel Albuquerque.
Muito timidamente o presidente do município lá foi avançando, de jantar em jantar, agregando simpatias e apoios. Outras figuras de destaque do PSD Madeira foram aos poucos se juntando ao projeto de" liderança alternativa" ao qual Miguel Albuquerque se propõe.
O eterno veículo de oposição ao regime jardinista, o Diário de Notícias da Madeira, tem sido um grande, senão o maior, apoio que o candidato a destronar Alberto João tem do seu lado.
O CDS/PP (?!?!?), dentro da habitual demagogia de intervenção política a que já nos habituou (uma no cravo, outra na ferradura), é outro agente convergente(?) nas ideias que Miguel Albuquerque defende para o PSD e claro, para a Região (uma hipotética aliança entre o PSD de Albuquerque e o CDS em futuras eleições, seria quase certo tendo em vista que nas próximas eleições regionais de 2015 o PSD/M não conseguirá maioria absoluta, então convém não entregar o poder à esquerda, segundo eles).
No entanto, convém não esquecer, que o maior núcleo de apoio de Albuquerque está, como não poderia deixar de ser, no Funchal, e importa realçar que a maior parte desses mesmos apoiantes/simpatizantes, nem são filiados no PSD, logo, Albuquerque está muito fragilizado a esse nível.
Os apoiantes incondicionais do Presidente da Câmara tem se desdobrado em contactos/iniciativas no sentido de promover a candidatura, com especial incidência no Funchal. No meu ponto de vista a estratégia não é a mais correta, dado que serão os outros concelhos fora da Capital que irão dar a vitória a Jardim.
O que conta aqui é o seguinte: após a derrota de Miguel Albuquerque irá sofrer na próxima sexta dentro do PSD, qual será o seu futuro?!?
Na minha opinião Albuquerque, após o fim do mandato no município, está "morto" para o PSD. A "afronta" que fez ao "grande  líder" e o "divisionismo" que criou dentro do partido de "pensamento único" levará a que Alberto João e o seu sucessor (Manuel António) no PSD, risquem Albuquerque do mapa.
No entanto, as hipóteses não se esgotam... E ficam algumas perguntas no ar...
Miguel Albuquerque avança como independente em 2015?!?!
Qual o papel que o CDS terá no futuro político de Albuquerque no pós 2013?!?!
O Grupo Blandy, através do seu diário, continuará o apoio como até aqui?!??
A Maçonaria descartará o atual Presidente da Câmara do Funchal e avançará com outro nome?!?!
Perguntas que ficam para já sem resposta, mas que o futuro se encarregará de esclarecer!...


1 de agosto de 2012

Relvas - Artigo de investigação da Visão


O telefone toca em Santarém, na casa de Natalina Pintão.



Uma, duas, três e mais vezes. "Está lá? Quem fala?" Jovial, apesar dos 70 anos, a voz feminina espanta-se com o interesse pela sua figura, tantos anos volvidos. A professora de Francês e Português, da qual os jornais do Ribatejo parecem já não guardar sequer fotografias, é quase uma desconhecida, mas ocupou cargos relevantes nos anos oitenta. Primeiro, foi vereadora do PSD no município e acabou deputada no Parlamento, à boleia da primeira maioria absoluta de Cavaco. Diz-se que Miguel Relvas, então secretário-geral da JSD e já influente no partido, deu um jeitinho, tentando agradar ao reduto familiar da rapariga com quem namorava. "Não creio, mas nunca falámos sobre isso. Eu ia em 11º, um lugar não elegível. Alguns candidatos à minha frente foram para o Governo e só assim cheguei lá."



Hoje, Natalina Pintão não é apenas uma ex-militante do PSD desencantada com a política. É a sogra de Miguel Relvas. "Fui", corrige seca, mas educadamente, não querendo ignorar o recente desenlace matrimonial entre o ministro e a sua filha. "Estou zangada e magoada, mas gosto muito dele."



Conheceu-o pelos 18 anos, começara Miguel a namorar Paula, ambos enfarinhados na Jota laranja. "Era um rapaz dinâmico, trabalhador, estimulante, talvez demasiado mexido", admite. Desde cedo, Natalina ficara "parva com a bagagem cultural que ele tinha, dava para vários cursos", reconhece. Já casado, Relvas forrou a casa com livros, "sobretudo ensaio e política. A biblioteca dele era uma coisa! A minha filha já não sabia onde pôr mais volumes". Por vezes, encontravam-se ao fim de semana, na residência do casal, em Lisboa. Lá o apanhou "a fazer trabalhos e a estudar" para as cadeiras da Universidade Lusófona. "Isso vi eu! Não foi o melhor dos genros, mas a licenciatura, só pelo percurso político, já estaria bem entregue." Admira-lhe, de resto, a resistência e o coração capazes de aguentar "jogos e pressões" num País "habituado a dar demasiada importância a doutores e engenheiros". Ter-se-á ele deslumbrado, pelo menos? "Isso. É essa a palavra. Deslumbrou-se. Na política, é preciso haver regras e ele esqueceu-se um bocado das regras." O Miguel de outrora "parecia que ia mudar o mundo", mas transfigurou-se com a passagem dos anos e a sucessão de cargos. "Algo se alterou nele. Mas quem não gosta de se pavonear e ser elogiado?"



Quando eu era pequenino...

Quem conheceu o pai de Miguel Relvas admite que "um valente e sonoro par de tabefes" aplicado pelas suas "poderosas manápulas no rosto insolente do seu pouco responsável filhote" talvez tivesse resolvido o problema a tempo. "Tenho a certeza de que profundamente o desgostariam os sucessivos e infelizes protagonismos do filho primogénito", escreveu, há dias, no blogue A Voz Portalegrense, o antigo professor Martinó Coutinho, conterrâneo de João Miranda Relvas em Portalegre. "É uma metáfora, naturalmente, mas ele resolvia várias coisas à chapada. Era um bocadinho autoritário, mas tinha muita estima por ele", refere à VISÃO.



Alto, corpulento, de voz grossa, o pai do ministro adjunto, falecido há meses, foi dirigente da Mocidade Portuguesa na região, coordenou a página da juventude no jornal A Voz de Portalegre e geriu o Alentejano, emblemático café da cidade, que renovou ao ponto de ali introduzir a então revolucionária máquina de café "cimbalino", assim mesmo, à moda do Porto. A sacudidela nos costumes não ficou por aí. João Relvas "renovou a frasqueira e o serviço de pastelaria", ofereceu "música de dança" às quartas-feiras, recuperou o restaurante no qual José Régio e David Mourão-Ferreira conviveram, criou um serviço postal e montou uma tabacaria, onde uma "empregada simpática" vendia jornais, revistas e livros. Referenciado pela sua "inteligência, firmeza e liderança", João Relvas embeiçou-se por Branca Cassola e com ela casou, unindo duas famílias pertencentes "ao íntimo património" da cidade. Rumaram, depois, para África, onde viveriam grande parte da vida. Ela tornou-se enfermeira, ele foi um quadro superior da Diamang, a Companhia de Diamantes de Angola.



Miguel Relvas quase ia nascendo lá, mas acabou por vir ao mundo a 5 de setembro de 1961, em Lisboa, para que a mãe pudesse beneficiar da inovação do parto sem dor. A epidural, à época ainda não totalmente fiável, deixou mazelas: o bebé Relvas revelou à nascença problemas na visão, que tentou corrigir mais tarde: "As inovações são boas, depois de testadas", referiu, numa entrevista, para justificar o trauma.



O rapaz é o mais velho de três irmãos.



Até aos 13 anos, viveu em Angola com os pais, mas o 25 de abril de 1974 leva-o ao Colégio Nuno Álvares, em Tomar, onde o pai tinha amizades e garantias de sossego nos intervalos das vindas a Portugal para visitar os catraios. O estabelecimento, um dos mais prestigiados do País, "albergava malta do Minho a Timor", segundo antigos alunos. Vasco Pulido Valente estudou lá. Alguns dos principais dirigentes das ex-colónias também. É o caso de Carlos Feijó, atual chefe da Casa Civil do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, com quem o ministro Adjunto se encontra com frequência quando se desloca a Luanda.



O casal Relvas continuaria em Angola por bons anos. Miguel e os irmãos serão alunos internos em Tomar, recebendo o mais velho uma boa mesada do pai para acudir às necessidades. Dele e dos manos. "Era um bocado paizinho, tomava conta dos irmãos, recebia a correspondência paterna", recorda um colega desse tempo. "Mas o Miguel achava que o João e o José lhe deviam obediência. Tinha alguma ascendência sobre eles, claro", recorda um dos primeiros professores de Relvas.



O colégio ganhara fama de corrigir os alunos retorcidos, mas Relvas saíra "bem comportado e responsável", segundo colegas, embora "exibicionista, irrequieto e pouco estudioso", na opinião de docentes que cedo lhe toparam outras ambições. "Andava sempre de volta dos professores, insinuava-se." Caiu no goto de Anselmo Borges, então a dar aulas de Filosofia no Nun'Álvares. A correção, as mesuras e o aproveitamento escolar garantiam-lhe saídas "quando queria", recorda Elsa Mariete, companheira de turma e amiga íntima, durante vários anos. Onde Relvas se metesse "era para fazer bem. Foi diretor do jornal da escola e repreendia-nos quando as coisas não eram feitas como ele queria. Passava a vida a ler jornais e revistas, no Café Santa Íria, levava tudo a sério. Eu não", conta. Nas alturas de borga, Miguel também não se fazia rogado: subia ao palco em sketches teatrais e era ele, quase sempre, o cabecilha de festas e bailaricos, mas sem perder a compostura. "Pense nisto: ele foi interno muito novo, num colégio difícil, onde havia castigos para os prevaricadores. Colegas nossos foram presos ou acabaram nas drogas. Quem resiste a isto sozinho torna-se muito forte", assegura Elsa. Com tal perfil, o jovem apaixonado por romances históricos e policiais conseguiria aproximar-se até da mais improvável das figuras: enquanto faz o 12º ano no liceu de Tomar, numa turma só de raparigas, Miguel dormirá em casa do "Senhor Pinto", a fera dos prefeitos do colégio.



'Os gajos da massa'

No final dos anos 70, as lutas estudantis contra a União dos Estudantes Comunistas (UEC) e a militância na Jota social-democrata não são ainda a via rápida para o sucesso, mas constituem o itinerário central. "Nasceram-lhe os dentes na JSD", recordam. Miguel alinha nas estratégias, é um bom operacional, hábil a dar a volta a adversários. Um deles quis chegar-lhe a roupa ao pêlo, mas dias depois já andavam de abraços. "Não havia gajo melhor do que o Miguel para isso", conta um antigo dirigente laranja de Tomar, conviva de almoços e jantares de intriga, onde Relvas ganharia a fama de "papa-manteigas" por debulhar o pão e as ditas enquanto o diabo esfregava um olho.



Miguel entra nos anos 80 a toda a velocidade. "Ele já tinha algum dinheiro e ia a Lisboa com mais facilidade do que nós, de comboio. Quando queríamos falar de algum assunto com o Pedro Pinto, o líder da JSD dizia: 'Já tratei disso com o Miguel'. Fazia tudo nas nossas costas", recordam. José Pereira da Silva, antigo governador civil de Santarém, militante número dez no distrito, reparou nele, numa assembleia de militantes, na cidade dos templários, "era meio estrábico, foi logo notado". Num ápice, Miguel torna-se imprescindível. "Ligava-me às oito da manhã, era exigente com ele e com os outros. Não deixava que lhe passassem a perna", recorda este ex-dirigente do PSD na região.



Era a época da "geração da Jota deslumbrada com a vida partidária e não com os estudos." No rol, cabem, entre outros, Pedro Pinto, Carlos Coelho, Passos Coelho e Relvas, então mais empenhados em lutar contra o Serviço Militar Obrigatório e o aborto do que marrar nas sebentas. Miguel só não alinhava com a maioria nas questões angolanas: a UNITA tinha força na Jota, mas ele sempre foi apoiante do MPLA. Nunca se sentiu um retornado e dizia-o abertamente. "Já aí, estava um passo à frente. Depois, foi o primeiro de nós a perceber a importância do dinheiro e a juntar-se aos gajos da massa", conta um dirigente.



Anos à frente, Relvas, vice da JSD, passará por cima do secretário-geral da jota e reunirá amiúde com Dias Loureiro, então na secretária-geral do partido, o cargo que sempre representou o cofre do PSD.



Segundo ex-membros da JSD, Abílio Rodrigues, antigo governante de Balsemão, empresário, deputado do partido e dirigente distrital, terá emprestado carros a Relvas, financiado campanhas internas e assegurado "grandes quantias" à organização. "Absurdo! Ajudei-o, mas era mais de levá-lo para Lisboa e trazê-lo", contrapõe o ex-dirigente do Benfica.



Militantes do PSD ainda desconfiaram das intimidades de Miguel com o CDS local. Tudo por causa da amizade com Duarte Nuno de Vasconcelos, vereador centrista na AD que governava a Câmara no início da década de 80. Durante anos, quando se deslocava a Tomar, Relvas ficava em casa de Nuno. No ano passado, na Festa dos Tabuleiros, Pedro Passos Coelho e a esposa também lá dormiram. "O Miguel é um bom e fiel amigo", diz Vasconcelos, que já não reside no concelho. Os dois encontram-se amiúde. Por pouco não se cruzaram nos negócios. Duarte Nuno trabalhou na Prointec, que detinha a Gibb, empresa de consultores de engenharia, gestão e ambiente, onde Miguel também já foi consultor, embora noutra altura. Vasconcelos deixou a Gibb antes de esta ser vendida à Finertec, onde Relvas trabalhou até ir para o Governo. Pelo meio, há investimentos no Brasil e em Angola e clientes como a EDP e a REFER. "Nunca tivemos qualquer relação profissional", refere Duarte Nuno, que estava na fila da frente, a bater palmas a Miguel quando, no ano passado, ele recebeu o prémio Personalidade do Ano, do jornal O Mirante.



Debates ideológicos, questões de fundo, sempre foram areias movediças para Miguel Relvas. A sua praia eram as táticas, as horas ao telefone, contactando com centenas de militantes um a um. A ilustração política de Miguel deve muito aos conselhos distritais que se faziam ao sábado. "Alguns dirigentes discursavam a partir do que tinham lido no Expresso e ele bebeu muito disso", conta João Moura, militante em Ourém e adversário de Relvas em eleições internas. Segundo os amigos, para o ministro é uma dor de alma ver o "seu" semanário fazer manchetes que lhe encravam as ambições. "Teria alguns sábados mais descansados se parasse a privatização da RTP", ironizou, há dias, insinuando a existência de uma campanha do grupo Impresa, de Balsemão, contra si.



A leitura compulsiva, com mais ou menos páginas ou lombadas, nem sempre preveniu deslizes. Em meados dos anos 90, os deputados da Comissão Parlamentar de Juventude, a que Miguel presidia, foram recebidos na cadeia de Coimbra. "Quero agradecer esta oportunidade", começou por dizer Relvas. "É sempre importante conhecer os presos no seu habitat natural."



Talvez esteja aqui, quem sabe, a explicação para a quase mudez dos seus 24 anos de vida parlamentar: durante esse período, Miguel esteve seis anos calado. Fez 16 intervenções e interpelações. Deputados do PSD garantem que alguns dos seus discursos tiveram ghost-writers de peso. O deputado Miguel aparecia, sobretudo, associado à criação de novas freguesias, vilas, cidades e concelhos. Anos volvidos, o dr. Relvas defende um novo desenho do poder local, com menos despesas, lugares e autarquias. Das comissões a que presidiu - Juventude e Obras Públicas - só boas memórias, mesmo entre a oposição: "Queria resolver os problemas de toda a gente. Quando percebia uma gafe, não espetava logo a faca", recorda um socialista. Mário Lino, o ex-ministro de Sócrates, comprovou "o caráter porreiríssimo" das sessões a que foi sujeito, segundo se comentava no seu gabinete. Relvas, entretanto, recusou-se a falar à VISÃO sobre qualquer assunto relacionado com o seu percurso pessoal, profissional e político.



O céu pode esperar?

Os anos passaram com ele sempre à espera do elevador da glória. E a fazer por isso, claro. Empanturrou contactos, fidelidades e ligações em jantares de vitela e carne assada. Nos momentos altos, era dos últimos a deitar-se e dos primeiros a acordar. "Em Tróia, num congresso da JSD, levantou-se cedo e foi bater às portas dos quartos para os delegados irem votar. É persistente e resistente. Um sempre-em-pé", reconhece António Tavares, antigo secretário-geral da JSD e atual provedor da Misericórdia do Porto, que lhe reconhece generosidade. "Uma vez, tive de abandonar uma universidade de verão dos jovens quadros da NATO, em França, com apendicite e, quando cheguei a Lisboa, tinha-o à minha espera para carregar as malas."



Quando é eleito deputado, em 1985, Relvas já era também calejado nas piruetas necessárias. A maioria dos delegados de Tomar entrara no Congresso da Figueira da Foz disposta a apoiar Cavaco Silva. Miguel está com João Salgueiro, mas é mais rápido do que a própria sombra a mudar de lado.



Em Lisboa, começou por viver num quarto, na Avenida 5 de Outubro. "A velha da casa não te atura, temos de te aturar nós!", brincavam os dirigentes da Jota. Depois de casado, irá viver para o Alto dos Moinhos, mas, nos primeiros tempos na capital, Miguel não tem carro, vive sem ostentação e mantém a JSD e o PSD de Santarém sob controlo remoto. Chegará o dia em que exibirá o relógio, os fatos, o automóvel topo de gama e entregará as chaves aos amigos de Tomar "para darem uma volta", "meterem gasolina" ou fazerem de seus motoristas. Neste vai e vem, estabelece relação estreita com jornalistas, para dizer o mínimo. "Alguns eram estagiários, hoje são editores. Nunca conseguíamos falar com ele às horas de fecho dos jornais. Sabia as manchetes todas de véspera ou colocava ele as notícias", recordam dirigentes do PSD.



Ao longo dos anos, Miguel mandará postais de boas festas e cartões de aniversário aos militantes mais anónimos ou de topo. Telefona a confortar os que estão doentes, foram internados ou perderam familiares. É íntimo, "amigo do seu amigo". Hoje, sabe dezenas de contactos na ponta da língua, trata centenas de militantes por tu e mantém o mesmo telemóvel pessoal há anos. "Sei o número dele e não sei o da minha mulher. Tanto atendia o pastor de cabras como o militante ilustre. É o verdadeiro doutor honoris causa da política", conta João Moura, antigo presidente da JSD/Santarém. Um dia, no primeiro dos jantares semanais que manteve com ele, no restaurante O Rafael, ouviu-o, de coração aberto: "Divergências, tudo bem. Traições, não. Se me criticares, só te peço que me avises antes", disse Relvas.



Amigo às cores

Esteve com Fernando Nogueira, andou nervoso com Marcelo Rebelo de Sousa, passou-se para o lado de Durão Barroso, zangou-se e fez as pazes com Santana Lopes. Ignorou Manuela Ferreira Leite, não engole Luís Filipe Menezes, dá-se bem com Marques Mendes e acreditou em Passos Coelho no deserto e levou-o ao poder como se carregasse sozinho o andor.



Da JSD ao partido, do Parlamento ao Governo, a ascensão de Relvas fez-se com um olho em Santarém e outro nas relações úteis. Uma das suas fraquezas é até bem capaz de estar a meio do caminho. "O Miguel será sempre um homem com dificuldades para ser número dois em Roma, pois vê-se sempre como o chefe da guarda pretoriana", caricatura António Tavares, contemporâneo de Relvas na JSD.



A jogar em "casa", o atual ministro foi sempre conciliador. Mas também implacável, se as conveniências o exigissem. O movimento Verdade e Democracia, surgido no interior do PSD/Tomar pela mão de históricos desagradados com a "marca" Relvas, quase o derrubava, mas só beliscou. "Não vale tudo para ganhar eleições", diziam os críticos, enquanto ele, pouco dado a teorias, ia buscar militantes a casa e alugava táxis para os levar às urnas. "Sempre teve o seu Boby e o Tareco. Até ao Diabo dava à volta", ilustra um opositor, recordando a contenda.



Seguiram-se purgas, expulsões, abandonos. Isabel Miliciano, a primeira mulher a enfrentar a sua corte numa lista de oposição na concelhia, também aprendeu a lição, mas de forma mais dura: "Houve promessas de muitas coisas, empregos e sei lá que mais. Até para arranjar vinte nomes para a lista foi até à última", recorda a proprietária d´O Templário, o semanário que resgatou das influências de Miguel. "Quando não der mais, não dá. Mas o jornal morrerá de pé", refere esta antiga vereadora do PSD. "Demiti-me do partido em 2009, saí do rebanho, mas a corrupção é transversal, vai do adro da Igreja até ao topo. As pessoas vendem-se por um litro de alcatrão ou para tapar um buraco à porta", acusa. Miguel só seria apanhado em falso nos anos 90, quando periódicos nacionais e locais falaram do seu envolvimento nas "viagens-fantasma" dos deputados e num suposto esquema de moradas falsas para embolsar o dinheiro das deslocações entre Lisboa e o seu círculo eleitoral. Relvas morava, então, na capital, mas registara, no Parlamento, endereços onde nunca residiu. Um deles era a casa de uma vendedora de fruta no mercado, antiga colega do colégio. "Então tu dás a morada sem a minha autorização?! Nunca pensei que me fizesses uma coisa destas!", atirou-lhe a mulher, numa ação de campanha. Acalmados os ânimos, Miguel encolheu-se: "Desculpa, não era para tua casa, era para a senhora da frente."



O grande facilitador

Na região, Relvas foi sempre figura de porta aberta, sem sectarismos nem preconceitos. Vários dirigentes e antigos autarcas do PS local apareceram colocados em assessorias e lugares confortáveis do distrito ou do Estado. Convidou um antigo candidato do BE para presidir às comemorações dos 850 anos de Tomar e "desenrascou" a faculdade que a filha de um dirigente do Bloco desejava para prosseguir os estudos. Não gostou de ser desafiado por um candidato do CDS, em Tomar, com interesses em Angola, mas, tempos depois, lá estava ele à espera do amigo em Luanda. "Só deixa de falar com alguém se for malcriado com ele", diz quem lida com Relvas desde miúdo.



Fernando Patrocínio representa para Tomar "o que Sócrates significou para Atenas". Foi um dos primeiros militantes de extrema-esquerda na região e pediu ajuda ao deputado Relvas na defesa dos trabalhadores da fábrica Mendes Godinho. "Fui ter com ele ao Parlamento e ele abriu-me portas para o Mira Amaral e o Laborinho Lúcio. Encaminhava, pronto. Mas aquilo não dava em nada, a verdade era essa. No fundo, é um cabotino. Sempre se pôs em bicos de pés. Se lhe deram peso foi por causa de alguma equivalência."



Noutras épocas, alargando a sua influência, Miguel "inventou" Mira Amaral para cabeça de lista no distrito, durante três mandatos. O antigo ministro da Indústria de Cavaco viu nele "um elemento ativo, excelente organizador". Depois, os caminhos separaram-se. Mira, contudo, foi andando por ali. Em 2005, a Associação Empresarial de Santarém (NERSANT) contratou a elaboração de plano estratégico para a região ao atual presidente do BIC (ex-BPN), através da Sociedade Portuguesa de Inovação, da qual é administrador, por 110 mil euros. Do plano foi "aprovado praticamente tudo", segundo a associação, e o nome de Miguel nem sequer veio à baila. "Tivemos percursos diferentes e nenhum deve nada ao outro." Com Mira Amaral e Morais Sarmento na assistência, o NERSANT atribuiu a Relvas a medalha de ouro da associação antes de António Campos, cunhado do ministro Adjunto, ocupar a presidência da Comissão Executiva do grémio comercial. Os dois nem sempre estiveram do mesmo lado nas lutas internas do PSD. Campos, antigo deputado e ex-diretor da Segurança Social, é consultor da Santa Casa de Misericórdia de Tomar, cujo provedor é Fernando de Jesus, secretário do presidente da Assembleia Municipal... Miguel Relvas. O cunhado é ainda administrador da Fundação Infante de Sagres, com interesses num Parque de Astronomia e Planetário em Angola.



Figuras com ligação ao PSD nacional não se têm dado mal com Tomar, apesar dos problemas financeiros da autarquia, acentuados ao longo dos anos, na gestão de António Paiva, que abandonaria o município para gerir o QREN da Região Centro. A sociedade de advogados de Nuno Morais Sarmento, ex-ministro de Durão Barroso, elaborou, para o município, o caderno de encargos relativo à venda do Convento de Santa Iría. Em 2008, a Câmara assinou, também, um contrato com a agência Youngnetwork, por serviços de consultoria no valor de 42 mil euros anuais, quando à frente da empresa se encontrava Rui Calafate, adjunto do antigo primeiro-ministro Santana Lopes.



Por estes dias, a imprensa e os meios políticos locais desconfiam da sombra de Relvas numa alegada privatização do Hospital Nossa Senhora da Graça, em Tomar. A população lamenta a perda de qualidade dos serviços, suspeitando-se de interesses alicerçados no facto de a Euromedic, firma da qual o ministro foi consultor, ter adquirido, em julho de 2008, ao médico Correia Leal, a empresa Diamecom, um dos maiores centros de diagnóstico privados da região. "É baixa política", reage Correia Leal, atual diretor clínico da Euromedic e antigo dirigente do Benfica, no tempo de Vale e Azevedo. "Apoio a remodelação, mas porque a gestão do Centro Hospitalar do Médio Tejo é miserável, com laivos de desonestidade", explica. "Conheço Relvas há anos, mas não somos íntimos. Não creio que se meta nestes assuntos." O governante já veio dizer que a reestruturação "é para levar por diante, em nome da racionalização dos meios humanos e materiais". Carlos Carrão, presidente da Câmara de Tomar, eleito pelo PSD e amigo do ministro, reconhece que o hospital "está a ser claramente esvaziado". Há seis meses pediu reuniões urgentes ao Ministério da Saúde. Resposta? "Nem um telefonema. Até falei sobre isto com o Miguel, mas não aconteceu nada." Lamenta-se dos seus primeiros seis meses de presidência, após o fim do "bloco central" que vigorou na autarquia: "O País é um Inferno e o Diabo instalou-se em Tomar."



Por um canudo

Nos últimos 12 anos, Miguel Relvas faltou apenas a duas reuniões da Assembleia Municipal. Gostam do seu estilo, mesmo na oposição, mas o namoro com a terra adotiva já teve melhores dias. "Há muito medíocre com a cabeça de fora, em Tomar", desabafou, numa entrevista à Rádio Hertz, antes das eleições legislativas do ano passado e das esperas e manifs por causa das polémicas das portagens, do hospital e da redução de freguesias. Os "casos" nacionais em que o seu nome apareceu envolvido também não ajudaram. "Não valho nada, mas para o que ele precisar de mim, cá estarei. É uma situação difícil, mas quando o sacrifício ultrapassa o gosto, deve sair-se. E o sacrifício dele é notório", reconhece o autarca Carlos Carrão.



A "novela" da licenciatura ainda ajudou menos. E dura. "Sempre lhe disse: 'Estuda Miguel, estuda, pá!'", recorda o fiel amigo Jorge Catrau, compincha de "jota" e noitadas, que "quase" põe as mãos no fogo pelo ministro. "Ele tem a folha limpa, mas está mexer com muitos interesses." No Ribatejo, o "canudo" de Relvas sempre foi tema requentado. Ou assunto de caricatura, pelo menos desde setembro de 2007. O "Guarda-Rios", pseudónimo do autor de uma coluna, no semanário O Mirante, assinalou, então, o momento Lusófona com pompa, circunstância e... ironia: "Miguel Relvas era acusado de nunca ter trabalhado na vida nem sequer como estudante. E também dizem que se sentia deprimido quando o tratavam por Dr. sem que ele o fosse realmente. A partir de agora, Miguel Relvas já pode ser tratado por Dr. sem que as más -línguas possam acusá-lo de propriedade indevida de um título. É Dr. da mula ruça como o outro é Eng.º de obras acabadas, mas os tempos assim o permitem e até exigem. E muitas vezes aplaudem."



Ler mais: http://visao.sapo.pt/como-o-miguel-se-tornou-relvas=f677947#ixzz22Hl4yqt1

31 de julho de 2012

Merkel, Draghi e Junker - Três Magníficos

Angela Merkel: quando a falência da Lehman Brothers americana, em setembro de 2008, atingiu a holding financeira alemã Hypo Real Estate, a chanceler meteu lá dez mil milhões de euros dos contribuintes e deu garantias do Estado alemão para empréstimos no valor de mais 145 mil milhões.


As coisas correram mal e em 2009 o banco foi nacionalizado. O ano passado Merkel, sempre hesitante em apoiar financiamentos a outros, convenceu a Comissão Europeia a emprestar ao Hypo 175 mil milhões de euros (mais 105 mil milhões do que o empréstimo concedido pela troika a Portugal) em troca do fecho de algumas atividades.

Algumas semanas depois desse empréstimo ter sido acordado, a Alemanha informou, sem espoletar qualquer escândalo, que um "erro contabilístico" nas contas anteriores de um dos bancos da holding iria permitir entregar de volta aos cofres do Estado alemão 55,5 mil milhões de euros. Espantoso.

Mario Draghi: antes de ser presidente do Banco Central Europeu, este italiano teve, entre 2002 e 2005, funções de vice-presidente da Goldman Sachs para a Europa. Este banco de investimento gigantesco, e um dos protagonistas "sinistros" da crise financeira mundial, contava com o italiano para lidar com os problemas provocados pelas dívidas soberanas.

Draghi, que desmentiu ter assumido esse pelouro na Goldman Sachs - onde, depois de sair, passou a consultor -, é, no entanto, colocado pelo jornal Le Monde como um dos protagonistas da arquitetura de créditos que permitiu, nesses anos, aos governantes gregos mascararem as contas do país, ainda hoje o principal pretexto moral para que os gregos não sejam decisivamente ajudados pelos seus parceiros europeus.

Jean-Claude Junker: é presidente do Eurogrupo. É primeiro-ministro do Luxemburgo desde 1995 - há 17 anos! Antes, teve inúmeros outros cargos importantes. Estes são os que interessam para o caso: governador do Banco Mundial, governador do FMI e governador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento. É, portanto, um homem do lado aparentemente suave do sistema financeiro que, no entanto, nos está a arruinar. Foi um dos arquitetos do Tratado de Maastricht e tem sempre palavras a favor do euro.


Estas personalidades lideram agora a discussão sobre o que fazer para salvar o euro. Inspiram confiança? Não. Têm um comportamento politicamente exemplar? Tenho dúvidas. Os interesses que servem são, demonstra-se, incompatíveis. E, no entanto, são pessoas como estas que decidem como vamos viver nos próximos anos. Estamos tramados.










24 de julho de 2012

Balança Comercial - "o Troféu do equilíbrio"

A dimensão dos problemas com que o país está confrontado é de tal forma colossal, a profundidade da crise e a sua amplitude – traduzidas em mais de um milhão e duzentos mil desempregados e na mais prolongada recessão económica das últimas décadas – é de tal forma grave, que o governo, na ânsia de mascarar os efeitos demolidores do Pacto de Agressão que está em curso, utiliza toda a propaganda para iludir a realidade do país. Foi isso que aconteceu com a operação montada a partir da divulgação por parte do INE dos dados relativos ao comércio externo e à Balança Comercial portuguesa nos primeiros 5 meses de 2012.


O governo decidiu apresentar como troféu o alegado equilíbrio da balança comercial. Uma subida das exportações de mercadorias de 9% e uma descida das importações em 5,6% face ao período homólogo, deram campo para reproduzir até à exaustão a tese do “país no bom caminho”.

Na verdade os valores das exportações apresentados – mantendo um perfil assente em produtos de baixo valor acrescentado - não traduzem uma qualquer consolidação, e muito menos, um pujante dinamismo do aparelho produtivo português. Resultam, isso sim, de uma significativa desvalorização do Euro face ao Dólar de 13,5% ao longo do último ano – confirmando todos os efeitos negativos que um Euro sobrevalorizado face à economia portuguesa teve ao longo destes anos – a par de um aumento excepcional das exportações de “combustíveis minerais” de 42,5% aproveitando a capacidade disponível das refinarias e a redução da procura interna, assim como, do incremento da exportação de outras mercadorias, numa lógica de empobrecimento do país, como o ouro, as pedras e outros metais preciosos que registaram uma saída superior a 356 milhões de euros - mais 78,6% do que no ano anterior - e quando, a título de exemplo, o valor das saídas destes mesmos bens em todo o ano de 2007 se limitou a 6,9 milhões de euros. No fundo, são as poupanças de toda uma vida de milhares de portugueses que estão a ser extorquidas pelo agravamento da situação económica e social.

Quanto à redução das importações, ela é sobretudo o reflexo de uma economia em profunda contracção e de um povo cada vez mais empobrecido que está a fazer cair a pique, quer o consumo, quer o investimento. Assim, diminuem as importações de bens alimentares e bebidas (-6,1%) – valor que aliás aparece em linha com a quebra histórica registada no consumo de bens alimentares pela população portuguesa - mas também de bens para a indústria (-5,9%), de máquinas e outros bens de capital (-8,2%). Uma significativa redução das importações com uma forte incidência nos chamados bens de equipamento, ou seja na reposição e modernização da capacidade produtiva do país, cujas consequências irão ser pagas no futuro.

Está-se a combater o défice externo, designadamente o valor das importações, não por uma política de substituição de importações por produção nacional, mas pelo empobrecimento da esmagadora maioria da população, pela quebra da actividade económica (recessão), pela regressão do investimento – público e privado - ao nível daquele que se registou em meados do século passado. Redução de importações que se exprime naquele exemplo concreto que deixou o ministro Paulo Portas sem resposta, quando foi confrontado na semana passada pelo PCP com o facto das refinarias de açúcar portuguesas estarem a funcionar a menos de 50% por falta de matéria-prima.

Não se questiona a importância das exportações. Mas são as exportações que devem estar ao serviço da economia nacional, e não, como alguns pretendem, colocar a economia nacional a servir os interesses de algumas empresas exportadoras. Neste modelo, que querem erguer como tábua de salvação da economia nacional, quanto mais baixos forem os salários, quanto maior for a pressão do desemprego, quanto menos direitos tiverem os trabalhadores, melhor. Um modelo que assume o desprezo pelo mercado interno, pelas condições de vida e pelo poder de compra de milhões de portugueses, pela actividade de milhares de mPME´s. A confirmá-lo estão dezenas de países em que as exportações excedem as importações e em que os seus povos vivem na mais profunda miséria.

Aliás, é esse paradigma de fome e de miséria, que foi propagandisticamente invocado pelo governo ao comparar os dados do comércio externo de 2012, com aqueles que se verificaram no longínquo ano de 1943. Ano e realidade de triste memória, em que as privações do povo português, à custa do equilíbrio da balança comercial, alimentavam a máquina de guerra nazi.

Por mais propaganda e mistificações que o governo de Passos Coelho e Paulo Portas queiram impingir ao povo português, a verdade é que o país está hoje pior do que estava há um ano atrás. Mas a continuação da actual política – que conta também com o apoio do PS e do Presidente da República – está a empurrar Portugal para o desastre. Desde que está em vigor o Pacto de Agressão, encerraram mais de 10 mil empresas, quase 200 mil trabalhadores perderam o emprego, centenas de milhar de famílias caíram na pobreza, dezenas de milhar de trabalhadores, sobretudo jovens, saíram do país. O colapso que se está a verificar no sector da construção civil, do pequeno comércio ou da restauração, junta-se ao rasto destruidor que dizimou importantes fileiras produtivas – como a metalomecânica pesada – ou a sectores que estão seriamente ameaçados como é o exemplo da construção naval, por via do processo de privatizações que está em curso. Quando se exigia uma redução dos custos dos factores de produção – como a energia, o crédito, os seguros ou os transportes – aquilo a que assistimos é ao seu contínuo agravamento, beneficiando assim os grupos monopolistas que os controlam. Quando se exigia a tributação do grande capital, aquilo a que assistimos é a um brutal agravamento da carga fiscal, designadamente do IVA e do IMI que, a par da redução do poder de compra, está a matar milhares de pequenas e médias empresas.

De “vento em popa”, só os negócios da banca, só os lucros dos grupos económicos da grande distribuição, da venda de combustíveis, de gás, de energia eléctrica, das telecomunicações, da exploração das auto-estradas. No “bom caminho”, estão os mais de 73 mil milhões de euros de capitais que saíram nos últimos quatro anos para o estrangeiro em forma de rendas, juros e lucros. Uma sangria que ameaça aprofundar-se tal o volume de juros que estão previstos pagar à banca estrangeira este ano– incluindo os juros do empréstimo da troika – tal o conjunto de empresas que o governo pretende continuar a entregar ao grande capital nacional e estrangeiro.



 
Excertos de uma conferência de imprensa por Vasco Cardoso, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, Lisboa


23 de julho de 2012

Maçonaria em Portugal - Ligações poderosas

Este trabalho de investigação de dois jornalistas, e que foi publicado na revista Sábado, já tem algum tempo (ainda o PS de Sócrates dominava por completo a esfera do Governo e todas as negociatas à volta). Contudo, esta gente continua, de uma forma ou de outra, a exercer domínio direta ou indiretamente sobre a vida politica e económica do nosso país e a decidir sobre o destino a dar às nossas vidas, como se de um simples jogo de xadrez se tratasse. O artigo ainda é extenso, mas vale a pena lê-lo na íntegra. Portugal é uma festa de avental Trabalho de investigação de António José Vilela e Fernando Esteves, publicado na Revista Sábado As ligações poderosas da organização que não quer aparecer – A maçonaria por dentro São militantes do PS, do PSD e do CDS; são ministros, diplomatas e elementos dos serviços secretos. A SÁBADO teve acesso a informações e documentos internos que mostram onde estão os maçons em Portugal, o que controlam e quais os rituais que são obrigados a seguir. Manual para perceber como vive a organização mais misteriosa da sociedade e quais as suas ligações ao poder. De venda negra a cobrir os olhos, com a perna esquerda das calças arregaçada e uma parte do peito completamente à mostra, aquele que ainda hoje é um dos homens mais influentes de Portugal conseguia apenas distinguir sons, vozes e instruções dadas pelo venerável mestre da loja maçónica a que estava prestes a aderir como maçon aprendiz. Na derradeira prova antes de poder ser um membro de pleno direito do Grande Oriente Lusitano (GOL), fizeram-no dar três voltas completas, de olhos vendados, ao templo maçónico – todas elas com um significado simbólico (ver infografia). Sempre acompanhado pelo mestre de cerimónias, o homem que se certifica de que o ritual é escrupulosamente cumprido, superou o teste. Pelo caminho, teve de ouvir barulhos de espadas a bater no chão e mulheres a bater nas madeiras e teve de sentir o calor do fogo e a temperatura fria da água. Já com os percursos feitos sempre da esquerda para a direita da loja; que é como quem diz das trevas para a luz -, mas ainda de olhos vendados, foi conduzido ao altar. Estava na altura de finalmente ser iluminado pela figura do venerável. Ao cair da venda, veria a luz. Viu mais do que isso: um conjunto de homens com aventais de cores e disposições variadas, alinhados como numa parada militar. À sua frente, o líder da loja levantou uma espada que atravessava o testamento maçónico que escrevera antes de entrar na loja, numa câmara escura e sombria, com caveiras humanas desenhadas nas paredes. Nesse pedaço de papel registara as suas últimas reflexões profanas, que começavam agora a ser despedaçadas pelas chamas. Jorge Coelho – um dos mais influentes militantes da história do Partido Socialista estava a entrar num mundo desconhecido da maior parte dos portugueses: – o universo secreto da maçonaria. Antes dele- que chegou ao GOL há pelo menos seis anos, durante o grãomestrado de Eugénio de Oliveira (1996 / 02) -, muitas outras figuras influentes da sociedade portuguesa passaram pelo ritual iniciático. Entre elas, Almeida Santos (ex-presidente da Assembleia da República), António Vitorino (antigo ministro socialista da Defesa e ex-comissário europeu), João Soares (ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa), João Cravinho (ex-ministro das Obras Públicas e atual administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento), Ricardo Sá Fernandes (advogado e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais), Maldonado Gonelha (administrador da Caixa Geral de Depósitos e exministro da Saúde), Isaltino Morais (presidente da Câmara Municipal de Oeiras) e António de Sousa Lara (ex-subsecretário de Estado da Cultura de um governo de Cavaco Silva e professor, que acabou envolvido no escândalo da Universidade Moderna). Esta é uma curta lista entre milhares de nomes, divididos por várias obediências – as mais representativas são o Grande Oriente Lusitano (GOL), liderado pelo ex-deputado socialista António Reis, e a Grande Loja Regular de Portugal (GLRP), dirigida pelo escritor Mário Martin Guia – que se movem em todos os setores de atividade. É a ação conjunta destes homens, que se reúnem entre as paredes discretas dos templos maçónicos, repletos de símbolos e artefactos, que forma o designado “lóbi maçónico”. O último episódio demonstrativo da proximidade entre a maçonaria e o poder surgiu na mais recente remodelação governamental. António Costa saiu para ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa e, para seu sucessor na pasta da Administração Interna, foi designado Rui Pereira, que hoje é visto como um dos nomes mais fortes do GOL. Fez parte da Loja Convergência, liderada por Luís Nunes de Almeida, o ex-presidente do Tribunal Constitucional (TC) falecido em 2004 e em cujo funeral maçons de várias lojas e obediências fizeram – sem o conhecimento do prior Horácio Correia, responsável pela Basílica da Estrela – uma cadeia de união (ritual maçónico em que todos dão as mãos e proferem as últimas palavras de homenagem ao morto). O ato decorreu discretamente na casa mortuária, longe dos olhos de elementos não maçons, os “profanos”. Frequentador assíduo destas e de outras reuniões maçónicas, Rui Pereira dividiu ultimamente tarefas entre a visível coordenação da Unidade de Missão para a Reforma Penal e a presidência-sombra do Supremo Tribunal Maçónico, que acabou por abandonar, segundo fontes do GOL, quando foi há poucos meses escolhido pelo PS para integrar o Tribunal Constitucional. Hoje faz parte da Loja Luís Nunes de Almeida – criada em homenagem ao jurista falecido após a cisão registada na Loja Convergência, que continuou a ter, entre outros membros, Luís Fontoura, social-democrata e ex-secretário de Estado da Cooperação dos governos de Balsemão, e Abel Pinheiro, administrador da Grão-Pará e o ex-homem-forte das finanças do CDS, arguido no processo judicial Portucale. Contactado pela SÁBADO, Abel Pinheiro assume uma ligação de mais de 20 anos à maçonaria, considerando que esta “não tem qualquer espécie de poder”. Se não tem poder oficialmente, pelo menos está “representado” em vários órgãos de poder. Rui Pereira, o atual ministro da Administração Interna, já foi diretor, entre 1997 e 2000, do Serviço de Informações de Segurança (SIS) e mantém desde então relações próximas com o mundo da espionagem portuguesa. Rui Pereira – que não quis falar com a SÁBADO sobre a sua ligação à maçonaria – é também olhado como uma ponte entre o GOL e a GLRP [Grande Loja Regular de Portugal], através do seu grande amigo José Manuel Anes. Além de ser hoje grão-mestre honorário da GLRP, Anes é diretor da revista maçónica Aprendiz e da publicação Segurança e Defesa, lançada em outubro de 2006 pela editora Diário de Bordo, e onde escrevem vários elementos ligados aos serviços secretos. Os membros da maçonaria têm marcado presença na definição das opções do País, em especial junto de governos socialistas. Há áreas em que os maçons atuaram desde sempre, como a administração interna e os serviços de informações, e outras em que a sua influência é grande. Os governos de António Guterres são um exemplo claro. Jorge Coelho, enquanto ministro da Administração Interna, teve como secretário de Estado Armando Vara – outro maçom, que hoje é administrador da Caixa Geral de Depósitos, nomeado pelo Governo. No exercício das suas competências, Coelho nomeou em 1997, para dirigir o SIS, Rui Pereira, que acabou por sair três anos depois para ocupar o cargo de secretário de Estado da Administração Interna. Jorge Coelho – que não quis falar à SÁBADO de maçonaria (“Nunca falei disso com ninguém, mas vou ter muito gosto em ler o artigo”) – já então tinha trocado a pasta da Administração Interna pela do Equipamento Social e Rui Pereira ficou sob a alçada de Alberto Costa, hoje ministro da Justiça e que desmentiu à SÁBADO qualquer ligação à maçonaria. Nesse mesmo governo, em 2000, Fausto Correia, outro histórico do Grande Oriente Lusitano, ocupou o cargo de secretário de Estado adjunto do ministro de Estado, o seu amigo e “irmão” Jorge Coelho. Noutra área, a dos Assuntos Fiscais, estava o advogado de Carlos Cruz no processo Casa Pia, Ricardo Sá Fernandes, também ele membro do GOL. Mas a presença dos maçons no executivo de António Guterres não para aqui. Na área da Habitação estava Leonor Coutinho, há muito mestre na Grande Loja Feminina de Portugal. O secretário de Estado da Saúde era José Miguel Boquinhas (maçom e amigo de Jorge Coelho, de quem passou a ser sócio numa clínica de exames laboratoriais, a Fisiocontrol), que chegou a candidatar-se, há cerca de três anos, a bastonário da Ordem dos Médicos com fortes apoios de médicos (até sindicalistas) maçons. Acabou por perder para Pedro Nunes, o atual bastonário, que por sua vez sucedeu a Germano de Sousa, outro elemento do GOL. Também Rui Cunha, um maçom do GOL recentemente nomeado pelo Governo para provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi secretário de Estado adjunto do ministro do Trabalho e da Solidariedade. Ainda no mesmo Executivo, Armando Vara, depois de ter desempenhado as funções de secretário de Estado da Administração Interna, foi nomeado ministro da Juventude e do Desporto. Carlos Zorrinho, que era na altura secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, entrou há pouco para o GOL. Segunda-feira, 18h30, janeiro de 2007. Dois homens de fato escuro e gravata saem do n.º 17 da Rua João Saraiva, em Alvalade, e atravessam apressadamente a estrada neste fim de tarde já escuro. Dirigem-se a uma carrinha cinzenta Citroën C5. Abrem a mala, retiram aquilo que parecem roupas dobradas e uma maleta de cabedal preto, com pequenas rodas, que um deles arrasta pelo chão. Num instante, já estão a regressar ao edifício, mas ainda falta cerca de meia hora para a reunião da Loja Mercúrio, talvez a mais secreta da maçonaria regular portuguesa. À medida que o tempo vai passando, começam a chegar os carros. Um BMW 520i segue devagar, o motorista leva-o algumas dezenas de metros adiante, dobra a esquina e estaciona. Jorge Silva Carvalho, o chefe de gabinete que o secretário-geral do SIRP (Serviço de Informações da República Portuguesa) requisitou ao SIS, sai do banco traseiro, ajeita o fato azul-escuro e põe-se calmamente a caminho, deixando para trás o carro que é propriedade da secreta militar e que, desde 2002, foi cedido ao gabinete do diretor do SIRP, Júlio Pereira. Quase no mesmo instante, mas do outro lado da rua, o motorista de um BMW propriedade da Câmara Municipal de Oeiras estaciona e um homem sai apressado em direção ao edifício degradado. É Isaltino Morais, que se junta a Emanuel Martins, líder do PS de Oeiras e um dos 17 maçons presentes na reunião de irmãos que se vai prolongar por mais de duas horas. Emanuel Martins tem sido o principal responsável pelo facto de Isaltino Morais ainda não ter caído da presidência da câmara: contra todas as expectativas, o líder da oposição tem vindo a manifestar solidariedade para com o autarca e seu “irmão”, acusado pelo Ministério Público dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e abuso de poder. Questionado pela SÁBADO sobre o assunto, Isaltino Morais não quis falar. Por essa altura, já outros carros topo de gama procuram estacionamento. Alguns estão a coberto do anonimato assegurado pelos registos – uns são Mercedes em leasing, outros são Audis registados em nome de empresas. Outros nem tanto, como são o caso de um Citroën C5 azul guiado por Paulo Miranda, o homem que foi vice-presidente do Conselho Nacional do CDS, ou o Opel Vectra que é propriedade do ex-reitor da Universidade Moderna, Britaldo Rodrigues. Hoje é dia de iniciações de aprendizes, gente que vai entrar nos segredos da maçonaria. Um homem de cerca de 50 anos parece perdido. Olha para os edifícios em redor, agarra no telemóvel e obtém a confirmação do número da porta. Lá dentro, no andar superior ao corredor dos Passos Perdidos (onde são afixados os nomes de quem está em vias de ser iniciado), José Moreno, o social-democrata subdiretor do Gabinete de Planeamento do Ministério das Finanças, e Paulo Noguês, especialista em marketing político e institucional, estão a postos para iniciar os rituais secretos da Grande Loja Regular de Portugal, que serão inevitavelmente seguidos de um ágape, uma espécie de convívio de homenagem aos recém-admitidos. Os novos “irmãos” terão aí a oportunidade de, pela primeira vez, tomar contacto com a linguagem codificada da instituição: obedecendo às instruções dos mestres (o grau máximo que se pode atingir numa loja maçónica), pegam num “canhão” (copo), “carregam-no” (enchem-no) de “pólvora forte branca” (vinho branco) ou, em alternativa, de “pólvora forte vermelha”ite (vinho tinto) ou de “pólvora explosiva” (champanhe); “alinham” (colocam os copos em linha) e “fazem fogo” (bebem). A bebida é frequentemente acompanhada de “materiais” (comida). Há quem opte por colocá-los na “telha” (prato), agarrando na “trolha” (colher) ou no “tridente” (garfo), para de seguida “demolir os materiais” (mastigar). Para que o ambiente permaneça descontraído, é possível experimentar “pólvora do Líbano” (tabaco) ou “fazer fogo” com “pólvora fulminante” (licor). Normalmente este ritual tem lugar na sede da própria obediência, mas o edifício degradado em que funciona a maçonaria regular, situado em Alvalade, não é propício a grandes convívios. Resultado: os “irmãos” preferem carregar a simbologia para o restaurante mais próximo, onde discretamente convivem ao jantar. Como aconteceu nessa noite. A GLRP é uma verdadeira salada de frutas de políticos. Reúne socialistas e monárquicas, sociais-democratas e centristas. Todos se dizem homens bons à procura do aperfeiçoamento individual e da humanidade, mas poucos se questionam sobre alguns dos episódios polémicos daquela obediência em Portugal, como o da estratégia montada durante largos meses pela direção da Grande Loja para conseguir uma nova sede – um palacete situado em pleno Príncipe Real, em Lisboa – cedida pelo ex-presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues. Para “seduzir” o agora recandidato, a GLRP até lhe atribuiu uma importante condecoração maçónica, a grã-cruz da Ordem Honorífica Gomes Freire de Andrade. A divulgação do caso pela SÁBADO, em abril, levou o vereador do Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, a fazer um requerimento para saber exatamente o que tinha sido acordado. Nunca obteve resposta, mas, ao que tudo indica, o palacete vai mesmo chegar às mãos da GLRP. De resto, o universo da autarquia lisboeta é um autêntico caldeirão maçónico. A SÁBADO sabe que o antigo chefe de gabinete de Carmona Rodrigues, Cal Gonçalves, é maçom. O mesmo sucede com vários membros da oposição no PS Lisboa, como Rui Paulo Figueiredo, que pertence à Loja Mercúrio, ou Miguel Coelho, líder da distrital do partido, Dias Batista, líder do PS na autarquia, ou ainda Rosa do Egito (recém-nomeado administrador da EPUL), Arnaldo João (advogado e ex-EPUL) e Gonçalo Velho (PS de Carnide). Em declarações à SÁBADO, José Manuel Anes afirma que ainda não acredita que o negócio em causa estivesse em marcha: “Estou profundamente triste pelo que li na vossa revista. Fiquei de boca aberta. A minha sensibilidade maçónica ficou ofendida”. Nandim de Carvalho, ex-grão-mestre da GLRP, não percebe Anes: “Isso não tem ponta por onde se lhe pegue. É uma declaração ininteligível.” E Nandim de Carvalho não fica incomodado com o secretismo com que toda a operação estava a ser planeada. Segundo documentos a que a SÁBADO teve acesso, também já houve comendas atribuídas aos presidentes das Câmaras de Setúbal e Palmela, respetivamente, Carlos Sousa e Ana Teresa Vicente. As autarquias são outro dos setores onde a maçonaria também tenta ter uma presença forte. Em maio e junho de 2001, o GOL organizou a exposição Maçonaria na Figueira, realizada no museu camarário. Em documentos internos da organização que a SÁBADO consultou, é destacado o “empenho e o profissionalismo” de diversas pessoas. Entre elas, o então vereador social-democrata Miguel Almeida. Melhor, o “irmão” Miguel Almeida, que seria braço-direito de Santana Lopes na Câmara de Lisboa, e que por diversas vezes o aconselhou a visitar o GOL e a subsidiar vários eventos da instituição. À SÁBADO, o atual deputado sublinha que não lhe repugna que os membros da instituição procurem ajudá-la. “Se for para defender os valores da casa, não acho mal, pelo contrário”, afirma. Será apenas coincidência, mas os maçons estão sempre a encontrar-se nas autarquias. Ainda nas últimas eleições, depois de Manuel Maria Carrilho ter feito uma manobra de antecipação, anunciando a disponibilidade para ser candidato do PS a Lisboa, João Soares, expresidente da Câmara, resignou-se ao facto de ter de se candidatar à liderança de outra cidade. Acabou por conseguir ser a aposta do PS a Sintra. O coordenador autárquico do partido era o seu “irmão” Jorge Coelho. Uma curiosidade: João Soares é um maçom sui generis. Na sua loja recusa-se terminantemente a usar o tradicional avental, por considerar que é “abichanado”. Em declarações à SÁBADO, João Soares confirma: “Uso avental em casa, não sou pessoa de grandes rituais. Estou lá pelo espírito republicano e laico da organização”. Um espírito que é defendido intransigentemente pelo grão-mestre António Reis. “Não telecomandamos pessoas ou grupos. Faço uma distinção total entre a espiritualidade ética e laica e os grupos de pressão que não somos”, diz. Vítor Ramalho, deputado do PS e maçom assumido, tem mais dúvidas. “Vejo com grande criticismo a entrada de certas pessoas e houve um período em que a maçonaria abriu as portas de forma menos avisada”, refere. Resumindo: todos terão a consciência de que para manter o espírito puro é necessário muito esforço interno. Se não, veja-se a declaração de princípios da lista encabeçada em 2002 por António Arnaut, na qual se mencionava a corrupção e o compadrio nos partidos políticos, defendendo-se até a existência de um “novo tipo de prática maçónica” que levasse os “irmãos” para longe das disputas partidárias, tanto mais que os partidos, “que deviam ser intérpretes do interesse nacional e escolas de civismo”, se transformaram em “máquinas de conquista de poder e agendas de emprego”. O diagnóstico era, portanto, desanimador. “A corrupção alastra, o compadrio substitui o mérito, o interesse material oblitera o dever de servir a comunidade”, dizia o documento, apontando outros potenciais culpados: “São as multinacionais que inspiram certas leis e são os canais de televisão que ditam as regras, criam factos políticos e impõem a obscenidade.” EM 1998, Fernando Negrão, o atual candidato do PSD à Câmara de Lisboa, que era então diretor da Polícia Judiciária, afirmou ao jornal Expresso que a maçonaria “com certeza democratizará a sua visibilidade”. Inquirido pelo mesmo jornal, Jorge Coelho, que era ministro da Administração Interna, disse que não faria sentido uma investigação sobre quem é quem na maçonaria portuguesa porque a época das perseguições já passara. O ponto de vista do exdirigente socialista parece ter vingado: na discussão que decorreu no ano passado no Parlamento, os deputados esclareceram muito bem quais seriam as novas regras do registo público de interesses a vigorar a partir de 2009. De fora ficaram, por proposta do PS e com a abstenção de toda a oposição, as ligações à maçonaria. O desejo de secretismo sobre os membros da instituição vem de longe e mantém-se até hoje. Até para se reconhecerem em público os maçons utilizam códigos. Um exemplo: dois “irmãos” estão a falar em público sobre um qualquer assunto da loja a que pertencem. Um deles percebe que há um “profano” que se aproxima. Para avisar o interlocutor, diz a seguinte frase: “Está a chover.” Outro ainda: um membro desconfia, mas não tem a certeza, de que uma pessoa que se prepara para conhecer é maçom. Para o confirmar, ao cumprimentá-la dá-lhe três toques com o polegar. Se houver resposta igual, é um “irmão”. Outra forma de se reconhecerem: num jantar de grupo, um maçom pensa estar frente a outro maçom, embora não esteja certo disso. Para o saber, olha para ele enquanto coloca a pala da mão aberta sobre o próprio pescoço. Se a resposta for semelhante, o mistério está desfeito. António Arnaut – que, em 1978, enquanto ministro dos Assuntos Sociais, protagonizou um dos episódios mais sintomáticos da influência da maçonaria na sociedade civil, ao colocar em discussão o projeto de lei que criaria o Serviço Nacional de Saúde primeiro na sua loja maçónica e só depois no Parlamento – desempenhou um papel importante na relativa abertura da instituição. Ao contrário do que sucedeu com o seu antecessor – o coronel Eugénio de Oliveira, que usava o nome simbólico de Gandhi na Loja O Futuro, onde Afonso Costa (chefe de alguns Governos durante a I República) também esteve – o grão-mestre defendeu maior divulgação da natureza e dos princípios do GOL. Foi por isso que abriu as portas do palacete situado no Bairro Alto, em Lisboa, a personalidades como Jorge Sampaio, D. Duarte, Pedro Santana Lopes ou Jaime Gama, que na altura declarou que era o primeiro presidente da Assembleia da República não maçom de Portugal. Não era. O seu antecessor, Mota Amaral, pertence, de facto, a uma organização igualmente discreta, mas com outro nome – a católica Opus Dei. Em diversos documentos do GOL e da GLRP a que a SÁBADO teve acesso são feitas referências a encontros com o poder político e económico, muitos deles secretos: “Há que destacar também a receção pelo grão-mestre do GOL de dirigentes de partidos políticos, embaixadores creditados em Portugal (…)”, pode ler-se numa comunicação interna do GOL, que, ao contrário do que acontece com a GLRP, não revela nomes “profanos” nos seus documentos, optando, por uma questão de segurança, pela utilização de nomes simbólicos (todos os maçons têm um) ou, no caso de se tratar de representantes institucionais exteriores ao GOL, pela inscrição das iniciais dos seus nomes. A maçonaria está por todo o lado. Para intervir ativamente na sociedade civil, cria as chamadas instituições para-maçónicas. Entidades como a Academia das Ciências de Lisboa, a Universidade Livre, os Pupilos do Exército, a Voz do Operário, a editora Hugin ou o Montepio Geral foram pensadas primeiro em lojas maçónicas e só depois lançadas na sociedade civil, normalmente com maçons na sua direção. Foi isso que aconteceu também com a Universidade Moderna. Um professor maçom que esteve ligado ao projeto desde o início garante que a ideia foi desenvolvida na maçonaria. “O José Júlio Gonçalves e o Oliveira Marques [historiador que morreu recentemente] estavam em conflito porque os dois queriam ser reitores”, afirma. “Nessa altura, a ideia era chamar-lhe Europa, mas um dia o José Júlio, que era quem tinha arranjado forma de viabilizar o projeto, perdeu a paciência e disse ao Oliveira Marques para fazer a sua própria universidade. Foi quando criou a Moderna.” A versão é contestada por Nandim de Carvalho, fundador e primeiro presidente da Assembleia Geral da Universidade, que garante que Oliveira Marques “não teve participação” na ideia. O projeto acabaria por dar origem a um dos maiores escândalos políticos dos últimos 20 anos, prejudicando a imagem da maçonaria, sobretudo da GLRP. E também a de alguns políticos, como Paulo Portas, que foi o primeiro gestor da empresa de sondagens da universidade, a Amostra, e que conduzia um Jaguar da Moderna, ou Santana Lopes, que também geriu a Amostra e que tinha ao serviço um Mercedes Classe A – carros disponibilizados por José Braga Gonçalves, administrador da universidade, filho de José Júlio Gonçalves e membro da maçonaria da Casa do Sino. “A maçonaria por dentro” – os nomes (Nota: aparecem os nomes, depois as posições e por fim a loja a que pertencem) Estrutura dirigente da GLRP Mário Martins Guia – Grão-mestre / Norton de Matos José Moreno – Vice-grão-mestre / Mercúrio Júlio Meirinhos – Vice-grão-mestre / Rigor Paulo Noguês – Assistente de grão-mestre / Brasília Luís Lopes – Assistente de grão-mestre / Marquês de Pombal R. LeIé – Assistente vice-grão-mestre moreno/ Mestre Afonso Domingues A. Rente – Assistente vice-grão-mestre meirinhos / Egitânia José Coelho Antunes – Grande secretário/ Norton de Matos I. Fonseca – Vice-grande secretário / Norton de Matos Manuel Martins da Costa – Assistente de / grande secretário / Marquês de Pombal Mário Gil Damião da Silva – Assistente de grande secretário/ Norton de Matos J. A. Ferreira – Grande correio-mor / Estrela da Manhã Alcides Guimarães – Primeiro grande vigilante / Rei Salomão L Homem – Segunda grande vigilante / Conímbriga Augusto Castro – Vice-primeiro grande vigilante / Anderson R. Cruz – Vice-segundo grande vigilante / Portus Calle Francisco Queiroz – Grande capelão / Teixeira de Pascoaes Benito Martinez – Vice-grande capelão / Quinto Império Mário Máximo – Grande orador / Nova Avalon H. Veiga – Vice-grande orador / Bispo Alves Martins Vítor Gabão Veiga – Grande hospitaleiro e esmoler / Soliditas António Vicente – Grande arquivista e bibliotecário/ Harmonia Arnaldo Matos – Grande porta-estandarte / Miramar Manuel Cabido Mota – Grande superintendente e guardião do templo / Harmonia Luís Honrado Ramos – Grande mestre de cerimónias / Almeida Garrett Miguel Cardina – Primeiro grande experto / Mestre Afonso Domingues Luís Pombo – Segunda grande experto / Miramar Esmeraldo Mateus Vivas – Segundo grande experto / Marquês de Pombal Manuel Pinto – Grande organista / Porto do Graal Nuno Jordão – Grande porta-espada/ Nova luz J. Ruah – Grande inspetor/ Mestre Afonso Domingues João Oliveira e Silva – Grande inspetor/ Fernando Pessoa Edgar Gencsi – Grande inspetor/ Miramar Manuel Sacavém – Grande inspetor / Lusitânia Nuno Silva – Vice-grande inspetor / Fernando Pessoa José Fernando d’Alte – Vice-grande inspetor / Almeida Garrett G. Ribeiro – Vice-grande inspetor/ Aristides Sousa Mendes Manuel Tavares Oliveira – Vice-grande inspetor / Anderson José Oliveira Costa – Assistente grande inspetor / Bispo Alves Martins Armando Anacleto – Assistente grande inspetor / Egitânia António Delfim Oliveira Marques – Assistente grande inspetor / Egas Moniz Jorge Vilela Carvalho – Assistente grande inspetor/ Astrolábio Paulo Albuquerque – Assistente grande inspetor / Lusitânia Membros do governo e deputados Nomes que são da maçonaria ou, em algum momento, foram membros: Rui Pereira (atual ministro da Administração Interna e ex-diretor dos serviços secretos) António Castro Guerra (atual secretário de Estado adjunto, da Indústria e Inovação) António Arnaut (ex-ministro socialista) Jorge Coelho (ex-ministro socialista) António Vitorino (ex-rninistro socialista, entretanto expulso do GOL) Isaltino Morais (ex-ministro social-democrata e atual presidente da Câmara de Oeiras) Almeida Santos (ex-ministro e ex-presidente do Parlamento) João Cravinho (ex-ministro socialista) Armando Vara (ex-ministro PS e atual administrador da CGD) Rui Gomes da Silva (deputado e ex-ministro do PSD) Carlos Zorrinho (ex-secretário de Estado PS e coordenador do Plano Tecnológico) Fausto Correia (eurodeputado e ex-secretário de Estado socialista) Juristas, diplomatas e espiões António Lamego (advogado) António Pinto Pereira (advogado) José António Barreiras (advogado) Diamantino Lopes (ex-vice-bastonário da Ordem dos Advogados) Rodrigo Santiago (advogado) Nuno Godinho Matos (advogado) Guerra da Mata (advogado) Miguel Cardina (advogado) Manuel Pinto (advogado) Luís Moitinho de Oliveira (advogado) Ricardo Sá Fernandes (advogado e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do PS) Ricardo da Velha (desembargador jubilado e ex-participante no programa televisivo “O Juiz Decide”) Jorge Silva Carvalho (chefe de gabinete de Júlio Pereira, diretor do Serviço de Informações da República Portuguesa) José Manuel Anes (diretor da revista Segurança e Defesa) José Fernandes Fafe (diplomata) Fernando Reino (diplomata jubilado) Gestores, médicos e militares Abel Pinheiro (administrador da Grão-Pará) Maldonado Gonelha (administrador da Caixa Geral de Depósitos e ex-ministro da Saúde socialista) Fernando Lima Valadas (gestor da construtora Abrantina) Amadeu Paiva (administrador da Unicre) Carlos Monjardino (presidente da Fundação Oriente) José Miguel Boquinhas (médico, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e ex-secretário de Estado socialista) Germano de Sousa (ex-bastonárioda Ordem dos Médicos) Cipriano Justo (médico e sindicalista) Jacinto Simões (médico e ex-diretor do Hospital de Santa Cruz) Santinho Cunha (médico legista) Vasco Lourenço (militar de abril) Palma lnácio (ex-resistente antifascista) Professores, arquitetos, escritores, músicos e outros José Júlio Gonçalves (ex-reitor da Universidade Moderna) António de Sousa Lara (professor e exsubsecretário de Estado da Cultura socialdemocrata) Lemos de Sousa (professor catedrático) Jorge de Sá (professor e diretor da empresa de sondagens Aximage) Fernando Condesso (professor) José Manuel Fava (arquiteto e ex-sogro de José Sócrates) Troufa Real (arquiteto) José Jorge Letria (escritor) Mário Zambujal (escritor) José Fanha (escritor) Fausto (cantor) Carlos Alberto Moniz (cantor) José Nuno Martins (apresentador) Nicolau Breyner (ator) Moita Flores (argumentista e presidente da Câmara Municipal de Santarém) Henrique Monteiro (diretor do jornal Expresso) João Proença (secretário-geral da UGT) (…) A. Rente – (GLRP) – Assistente vice-grão-mestre meirinhos / Egitânia. Abel Pinheiro (administrador da Grão-Pará e ex-homem forte das finanças do CDS “assume uma ligação de mais de 20 anos à maçonaria”), arguido no processo judicial Portucale. Alcides Guimarães – (GLRP) – Primeiro grande vigilante / Rei Salomão Almeida Santos (ex-rninistro e ex-presidente do Parlamento). Amadeu Paiva (administrador da Unicre). António Arnaut, (PS) em 1978, ex-ministro dos Assuntos Sociais em 2002, assinava uma declaração de princípios que denunciava a corrupção e o compadrio nos partidos políticos, defendendo-se até a existência de um “novo tipo de prática maçónica”. António Castro Guerra (atual secretário de Estado adjunto, da Indústria e Inovação). António de Sousa Lara (ex-subsecretário de Estado da Cultura de um governo de Cavaco Silva e professor e ex-subsecretário de Estado da Cultura, social-democrata, que acabou envolvido no escândalo da Universidade Moderna). António Delfim Oliveira Marques – (GLRP) – Assistente grande inspetor / Egas Moniz. António Lamego (advogado). António Pinto Pereira (advogado). António Reis, ex-deputado sodalista, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL). António Vicente – (GLRP) – Grande arquivista e bibliotecário / Harmonia . António Vitorino (antigo ministro socialista da Defesa e excomissário europeu), entretanto expulso do GOL. Armando Anacleto – Assistente grande inspetor / Egitânia. Armando Vara, depois de ter desempenhado as funções de secretário de Estado da Administração Interna, foi nomeado ministro da Juventude e do Desporto. Hoje é administrador da Caixa Geral de Depósitos, nomeado pelo Governo. Arnaldo João (advogado da ex-EPUL). Arnaldo Matos – (GLRP)- Grande porta estandarte / Miramar. Augusto Castro – (GLRP) – Vice-primeiro grande vigilante/ Anderson. Benito Martinez – (GLRP)- Vice-grande capelão / Quinto Império. Cal Gonçalves, (GLRP),antigo chefe de gabinete de Carmona Rodrigues é maçon. O mesmo sucede com vários membros da oposição no PS Lisboa. Carlos Alberto Moniz (cantor). Carlos Monjardino (presidente da Fundação Oriente). Carlos Zorrinho, ex- secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna e coordenador do Plano Tecnológico, entrou há pouco para o GOL. Cipriano Justo (médico e sindicalista) Diamantino Lopes (ex-vice-bastonário da Ordem dos Advogados). Dias Batista (líder do PS na autarquia/Lisboa). Edgar Gencsi – (GLRP)- Grande inspetor / Miramar. Emanuel Martins (líder do PS de Oeiras, apoiante de Isaltino de Morais na Câmara). Esmeraldo Mateus Vivas – (GLRP) – Segundo grande experto / Marquês de Pombal. Eugénio de Oliveira, coronel, [GOL] grão-mestre, (de 1996/02) que usava o nome simbólico de Gandhi na Loja O Futuro, onde esteve Afonso Costa; defendeu maior divulgação da natureza e dos princípios do GOL. Fausto (cantor). Fausto Correia, – (PS) euro-deputado, outro histórico do Grande Oriente Lusitano; em 2000, no governo de Guterres, ocupou o cargo de secretário de Estado adjunto do ministro de Estado, o seu amigo e “irmão” Jorge Coelho. Fernando Condesso (professor). Fernando Lima Valadas (gestor da construtora Abrantina). Fernando Reino (diplomata jubilado). Francisco Queiroz – (GLRP) – Grande capelão / Teixeira de Pascoaes. G. Ribeiro – (GLRP)- Vice-grande inspetor/ Aristides Sousa Mendes. Germano de Sousa (ex-bastonárioda Ordem dos Médicos. Outro elemento do GOL). Gonçalo Velho (PS de Carnide). Guerra da Mata (advogado). H. Veiga – (GLRP) – Vice-grande orador / Bispo Alves Martins. Henrique Monteiro (diretor do jornal Expresso); I. Fonseca – (GLRP)- Vice-grande secretário / Norton de Matos. Isaltino Morais (ex-ministro social-democrata e atual presidente da Câmara de Oeiras) PSD. J. A. Ferreira – (GLRP) – Grande correio-mor / Estrela do Manhã. J. Ruah – (GLRP) – Grande inspetor/ Mestre Afonso Domingues. Jacinto Simões (médico e ex-diretor do Hospital de Santa Cruz). João Cravinho (ex-ministro socialista das Obras Públicas e atual administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento). João Oliveira e Silva – (GLRP)- Grande inspetor/ Fernando Pessoa. João Proença (secretário-geral da UGT). João Soares (ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa), GOL, é um maçon sui generis. Na sua loja recusa-se terminantemente a usar o tradicional avental, por considerar que é “abichanado”. Jorge Coelho – (ex-ministro socialista um dos mais influentes militantes da história do Partido Socialista enquanto ministro da Administração Interna, teve como secretário de Estado em 1997, Rui Pereira. Jorge de Sá (professor e diretor da empresa de sondagens Aximage). Jorge Silva Carvalho (chefe de gabinete de Júlio Pereira, diretor do Serviço de Informações da República Portuguesa – SIRP). Jorge Vilela Carvalho – (GLRP) – Assistente grande inspetor/ Astrolábio. José António Barreiras (advogado). José Braga Gonçalves (membro da maçonaria da Casa do Sino; administrador da Universidade Moderna). José Coelho Antunes – (GLRP) – Grande secretário/ Norton de Matos. José Fanha (escritor). José Fernandes Fafe (diplomata). José Fernando d’Alte – (GLRP) – Vice-grande inspetor / Almeida Garrett. José Jorge Letria (escritor). José Júlio Gonçalves, (GLRP) ex-reitor da Universidade Moderna. José Manuel Anes, além de ser hoje grão-mestre honorário da GLRP, é diretor da revista maçónica Aprendiz e da publicação Segurança e Defesa, lançada em outubro de 2006 pela editora Diário de Bordo, e onde escrevem vários elementos ligados aos serviços secretos.José Manuel Fava (arquiteto e ex-sogro de José Sócrates). José Miguel Boquinhas (médico, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e exsecretário socialista de Estado da Saúde) maçon e amigo de Jorge Coelho, de quem passou a ser sócio numa clínica de exames laboratoriais, a Fisiocontrol. José Moreno – (GLRP) – Vice-grão-mestre / Mercúrio (social democrata, subdiretor do Gabinete de Planeamento do Ministério das Finanças). José Nuno Martins (apresentador). José Oliveira Costa – (GLRP)- Assistente grande inspetor / Bispo Alves Martins. Júlio Meirinhos – (GLRP) – Vice-grão-mestre / Rigor. L Homem – (GLRP) – Segunda grande vigilante / Conímbriga. Lemos de Sousa (professor catedrático). Luís Fontoura, social democrata e ex-secretário de Estado da Cooperação dos governos de Balsemão. Luís Honrado Ramos – (GLRP) – Grande mestre de cerimónias / Almeida Garrett . Luís Lopes – (GLRP) – Assistente de grão-mestre / Marquês de Pombal. Luís Moitinho de Oliveira (advogado) . Luís Nunes de Almeida, o ex-presidente do Tribunal Constitucional (TC) falecido em 2004, mestre da Loja Convergência. (Rito maçónico efetuado abusivamente na Capela mortuária da Basílica da Estrela ). Luís Pombo – (GLRP) – Segundo grande experto / Miramar. Maldonado Gonelha (socialista, administrador da Caixa Geral de Depósitos e ex-ministro da Saúde) Manuel Cabido Mota – (GLRP) – Grande superintendente e guardião do templo / Harmonia. Manuel Martins da Costa – (GLRP) – Assistente de / grande secretário / Marquês de Pombal. Manuel Pinto – (GLRP) – Grande organista / Porto do Graal – (advogado). Manuel Sacavém – (GLRP) – Grande inspetor / Lusitânia. Manuel Tavares Oliveira – (GLRP) – Vice-grande inspetor / Anderson. Mário Gil Damião da Silva – (GLRP) – Assistente de grande secretário/ Norton de Matos. Mário Martins Guia – (GLRP) – Grão-mestre / Norton de Matos – (escritor). Mário Máximo – (GLRP) – Grande orador / Nova Avalon. Mário Zambujal (escritor). Miguel Almeida, social-democrata maçon, que terá sido o braço direito de Santana Lopes na Câmara de Lisboa. Miguel Cardina – (advogado) (GLRP) – Primeiro grande experto / Mestre Afonso Domingues. Miguel Coelho, líder da distrital do partido. Miguel de Almeida (deputado; ex-vereador social democrata do GOL). Moita Flores (argumentista e presidente da Câmara Municipal de Santarém).Nandim de Carvalho (ex-grão-mestre da GLRP). Nicolau Breyner (ator). Nuno Godinho Matos (advogado). Nuno Jordão – (GLRP) – Grande porta-espada/ Nova luz. Nuno Silva – (GLRP) – Vice-grande inspetor / Fernando Pessoa. Oliveira Marques, (GLRP) historiador que morreu recentemente. Palma lnácio (ex-resistente antifacista). Paulo Albuquerque – (GLRP) – Assistente grande inspetor / Lusitânia. Paulo Miranda, o homem que foi vice-presidente do Conselho Nacional do CDS. Paulo Noguês – (GLRP) – Assistente de grão-mestre / Brasília – (especialista em marketing político e institucional). R. Cruz – (GLRP) – Vice-segundo grande vigilante / Portus Calle. R. Lelé – (GLRP) – Assistente vice-grão-mestre moreno/Mestre Afonso Domingues. Ricardo da Velha (desembargador jubilado e ex-participante no programa televisivo O Juiz Decide). Ricardo Sá Fernandes (advogado e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do PS, no executivo de Ant. Guterres). Rodrigo Santiago (advogado). Rosa do Egito (recém nomeado administrador da EPUL). Rui Cunha, um maçon do GOL recentemente nomeado pelo Governo para provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi secretário de Estado adjunto do ministro do Trabalho e da Solidariedade. Rui Gomes da Silva (deputado e ex-ministro do PSD). Rui Paulo de Figueiredo (membro da oposição no PS / Lisboa / Loja Mercúrio). Rui Pereira, – um dos nomes mais fortes do GOL, fez parte da Loja Convergência, participou na Reforma Penal e na presidência-sombra do Supremo Tribunal Maçónico da Loja Luís Nunes de Almeida. Integra o Tribunal Constitucional. É o atual ministro da Administração Interna. Foi diretor, entre 1997 e 2000, do Serviço de Informações de Segurança (SIS) e mantém desde então relações próximas com o mundo da espionagem portuguesa. Foi secretário de estado da Admin. Interna. Santinho Cunha (médico legista). Troufa Real (arquiteto). Vasco Lourenço (militar de abril). Vítor Gabão Veiga – (GLRP) – Grande hospitaleiro e esmoler / Soliditas. Vítor Ramalho, deputado do PS e maçon assumido. Senhoras “maçans” da Grande Loja Feminina de Portugal * Ana Bela Pereira da Silva, presidente da Associação Portuguesa das Mulheres Empresárias. * Helena Sanches Osório, jornalista já falecida, uma das fundadoras da GLFP. * Leonor Coutinho, mestre na Grande Loja Feminina de Portugal. Ex-secretária de Estado da Habitação do governo de António Guterres. * Maria Belo (psicanalista; militante socialista (PS); Grande Loja Feminina de Portugal fundada em 1983. Mulheres vendadas “Se a solidariedade entre ‘irmãs’ existe, eu nunca a vi.” Quem o afirma à SÁBADO é um membro da Grande Loja Feminina de Portugal (GLFP), a obediência maçónica criada em 1983, entre outras, pela psicanalista e militante socialista Maria Belo, numa antiga garagem com uma gruta por trás. Maria Belo e as “irmãs” – entre elas a já falecida jornalista Helena Sanches Osório decidiram chamar a essa primeira loja Unidade e Mátria. Tornou-se conhecida por ser muito rigorosa no cumprimento do ritual. “Lá, o segredo é mesmo a alma do negócio. No dia da minha iniciação, meteram-me num carro e andaram comigo a passear de olhos vendados para não imaginar sequer para onde ia. Elas levam a promoção do secretismo até ao ridículo e as figuras de topo guardam toda a informação para si. Se quiser saber nomes de outros elementos, não me dizem. Querem manter o poder”, afirma o mesmo membro, que ainda hoje não convive bem com o facto de ter de dizer sempre uma palavra passe para entrar na sede da GLFP nem com a obrigatoriedade de terem de ser as candidatas à irmandade a confecionar à mão o seu traje maçónico. “Disseram-me que tinha de ser eu a cosê-lo… Fui a casa da minha mãe e ela ajudou-me”, diz. A sede da GLFP situa-se em Lisboa, junto ao Largo do Adamastor. Entre os seus membros estão Leonor Coutinho, ex-secretária de Estado da Habitação do governo de António Guterres, e Ana Bela Pereira da Silva, presidente da Associação Portuguesa das Mulheres Empresárias (…)

12 de julho de 2012

Anedota do dia!!

A anedota do dia de hoje está bem escarrapachada na primeira página do Jornal da Madeira, edição de hoje. A anedota refere-se ao não menos anedótico Ventura Garcês e que diz, na sua visita, ontem, à Expomadeira, que já há sinais de retoma económica na região. Sem me querer alongar muito mais, até porque este tipo de gente não merece, eu gostaria de perguntar em que planeta este homem vive... Não será no mesmo que eu, de certeza!!!!

24 de fevereiro de 2012

Passos Coelho e Miguel Relvas - os palhaços do costume!!

Eis que o Governo resolveu adotar a última inovação em matéria de austeridade. O último grito da moda da luta ao desperdício e à pieguice (Passos Coelho dixit) dos portugueses: acabou-se o Carnaval! Acabou-se a fanfarra! Agora, no Carnaval, vais trabalhar - senão o Passos Coelho leva a mal(Vem a caminho a (in)tolerância de Páscoa)! Porque razão o Governo acabou com o feriado do Carnaval? Fácil: primeiro, porque pretendeu dar uma imagem de grande rigor, trabalho e disciplina na aplicação das medidas previstas no memorando - o que implica dar um sinal claro de que acabou o facilitismo ou a benevolência (?) para com os trabalhadores. O Governo de Passos Coelho não podia, pois, manter o feriado do Carnaval no momento em que a troika veio a Portugal para fiscalizar o cumprimento da sua receita para "curar" as finanças públicas nacionais (note-se que a troika já estivera em Portugal, com o mesmo fim, com o país paralisado em virtude de feriado no último verão); em segundo lugar, seria incongruente com a política de redução de feriados do Governo manter o Carnaval com tal estatuto. Finalmente, em terceiro lugar - e este é o argumento principal, que passou despercebido por vários comentadores políticos - o Governo tentou dar uma imagem de firmeza para a opinião pública, criando uma tensão com o poder local e até responsabilizando os privados. Ou seja: o Governo de Passos Coelho não trabalhou apenas para a sua imagem externa junto da troika, mas sobretudo visou granjear o apoio da opinião pública recorrendo a um dos clichés habituais da vida política portuguesa (a de as autarquias locais são o "cancro" financeiro da nossa democracia; os principais esbanjadores de dinheiro). Como? O Governo já sabia que um número relevante de Câmaras Municipais iria obviamente dispensar os seus trabalhadores no dia de Carnaval: porque, afinal de contas, investiram na própria organização dos festejos do Entrudo e isso poderia beneficiá-las em termos de captação de turistas`, que é o que acontece na Madeira. O Carnaval dá uma achega à nossa galinha dos ovos de ouro! Ora, este era o pretexto ideal para o Governo criar um antagonismo entre aqueles que querem acabar com o regabofe, com a irresponsabilidade nacional (o Governo) e aqueles que querem manter os mesmos vícios de sempre, os gastos irresponsáveis de outrora (leia-se, o poder local). Até o timing da divulgação da decisão do Governo foi escrupulosamente calculada: em vez de anunciar logo no momento em que se discutiu a abolição dos feriados, o Governo aguardou pelo período carnavalesco para dizer aos portugueses que o Carnaval é, apenas, mais um dia de trabalho. Politicamente, o cálculo do Governo é o seguinte: a nossa política global já se pauta pela austeridade; a situação no presente ano será ainda pior; logo, a única forma de conquistar o apoio (ou a compreensão dos portugueses) é assegurar a coerência da nossa política de rigor e esforços. Isto, claro, parte do pressuposto que está bem assente na cabeça de Passos Coelho de que há uma "maioria silencioso" de portugueses que aspiram por uma ruptura com as práticas e as mentalidades políticas dos últimos anos. O problema é que esta mudança é mais uma operação de marketing do que uma mudança efectiva: e aqui tão próximos, tão semelhantes que são os Governos de José Sócrates e Passos Coelho! Para animar a polémica, eis que surgiu o indefetível Miguel Relvas a ajudar à festa: segundo o nosso ilustre primeiro-ministro oficioso, as autarquias, que estão largamente endividadas, foram irresponsáveis ao não acatar a decisão do Governo de não dar tolerância de ponto aos seus funcionários. Eis a prova de que não há Carnaval, mas há ainda bombos da festa no Governo - é que ouvir Miguel Relvas a falar de rigor é, no mínimo, risível. Oh, meu caro Miguel Relvas, o senhor foi ministro no Governo de Durão Barroso; foi ministro no Governo de Santana Lopes - executivos em que a nossa dívida pública não abrandou! E já então se falava em apertar o cinto! E ao contrário da administração central - em que quando há necessidades de financiamento asfixiam-se os portugueses com impostos - que esbanja o dinheiro muitas vezes não em benefício de todos os portugueses, mas sim de alguns amigos políticos, as autarquias têm melhorado o nível de vida de muitas pessoas. É claro que o poder local tem muitos defeitos: mas foi uma das conquistas mais extraordinárias da democracia. As autarquias e os autarcas têm contribuído para o desenvolvimento social de Portugal. Há que corrigir as suas falhas, mas não estigmatizá-las, torná-las o inimigo número 1 do discurso político. Passos Coelho e seu fiel séquito Miguel Relvas não percebem esta realidade elementar. Estão a seguir um caminho muito perigoso. Quem avisa...

23 de fevereiro de 2012

Funcionários Públicos - A causa de todos os males!!

A palhaçada continua apesar do Carnaval já ter terminado (ou quase, falta o enterro do osso). Como já tive oportunidade de referir em outros artigos neste blog, o ataque aos trabalhadores portugueses é à vez, ou seja, medidas contra os trabalhadores do privado, medidas contra os trabalhadores do setor público, privado, público e assim sucessivamente. Pelo meio, os responsáveis políticos, com o necessário apoio da imprensa, vai fazendo o incitamente entre as várias classes, que uns ganham mais que outros, que outros são mais beneficiados que alguns, etc, etc. Como se diz na gíria, "jogando trabalhadores, uns contra os outros". É o velho lema de dividir para reinar, e que como temos visto, tem produzido bons frutos. Exemplo disso é a mais recente Greve Geral (um fiasco), bem como as recentes greves dos transportes (autênticas nulidades e sem qualquer apoio das populações). Mas, apesar dos apesares, o mal de todos os males é o Funcionário Público! Identificado por qualquer português que não se inclua nesta classe, como sendo um indivíduo altamente preguiçoso, malandro, abstencionista da pior espécie, mal educado, mal formado, sorvedor dos dinheiros públicos (como se ele próprio não cumprisse com as suas obrigações), com férias, feriados e pontes a mais, indivíduo que tabalha muito pouco e poucas horas diárias, enfim, um ser reles que por tamanho desprezo da população portuguesa não merecia viver acima dos esgotos e ver a luz do dia. O Funcionário Público é visto pelos portugueses como sendo a causa do estado a que o Estado Português chegou. Até um conceituado professor universitário, funcionário público por sinal, de seu nome João César das Neves, à margem de uma conferência realizada esta semana, de tão intoxicado que está, refere que os funcionários públicos não ganham muito (comparado com o ordenado dele nem se fala), mas são muitos (ele que se inclua no lote)!!! Mas depois queixam-se que os Hospitais estão com falta de recursos humanos, que as escolas não têm pessoal auxiliar para vigiarem os meninos, que não existem professores para compensar as faltas dos colegas, que demoram uma manhã inteira numa repartição de finanças para obter uma simples declaração, etc. Poderia dar muitos mais exemplos, mas de pouco ou nada servem para mudar as mentalidades a quem é constantemente "bombardeado" com informações deturpantes acerca do que é o serviço público prestado às populações. Se existem maus funcionários?!? Claro que sim!! Mas estão apenas no setor público?? Claro que não!! Poderia referir várias situações, e concerteza todos conheceis mais algumas, mas de pouco servia. Quanto a mim, vou tentando cumprir com a minha parte, às vezes tristemente!...

17 de fevereiro de 2012

Voos TAP e SATA voltam para o Terminal 1 em Lisboa

A partir do Verão IATA, em Maio, o terminal para os voos de e para a Região da TAP e da SATA, em Lisboa, volta a ser o Terminal 1, anunciou hoje a secretária regional da Cultura Turismo e Transportes, Conceição Estudante. Hoje de manhã, à margem da Festa de Carnaval das Crianças, a governante avançou que foi informada, esta semana, pela presidência do conselho de administração da ANAM e da ANA que, depois de obras realizadas no Terminal 1 do Aeroporto de Lisboa, serão transferidos os voos da TAP e da SATA para esse terminal, suspendendo a medida transitória anunciada há uns anos e que levou a que os voos passassem para o Terminal provisório 2. "As partidas e chegadas vão ser sempre no mesmo terminal para todos os voos TAP e SATA", explicou. Contudo, os voos da Easyjet vão manter-se no Terminal 2. Agora é muito tarde. Puseram o telheiro de zinco ao serviço do turismo de qualidade da Madeira e nessa altura todos acharam que era uma regressão e uma falta de consideração, muito para além de uma gestão logística. Ficou marcado. Os números começaram a descer, no turismo e na procura interna. Alguns odiavam o telheiro de zinco pela eterna mazela ou desaparecimento de malas. Pelo mau serviço e condições do telheiro de zinco, os Madeirenses começaram a evitar de passar por Lisboa nos voos para o estrangeiro, o medo de que desaparecesse a mala e transtornasse a viagem passou a prioridade a evitar. Em contraponto, a ideia começou a dar mais despesa do que eficiência no desaparecimento daquele “reles” tráfego do terminal 1. Depois veio a era das Low Cost. Vimos a Madeira no telheiro de zinco e as mangas do terminal 1 cheia de low costs nas mangas. As Low Cost começaram a galgar, o preço convidava aos convencidos da segunda categoria do destino. A postura de todos facilitou a estratégia das Low Cost. Agora que a companhia de bandeira tem uma tripulação preocupada com o seu futuro e uma secretaria em pantanas, tudo é possível. As razões que levaram o destino Madeira para o telheiro de zinco desapareceram? Durante esse tempo do telheiro de zinco assistimos à tradicional espera dentro do autocarro, aos apalpanços incompetentes por falta de material , assistimos ao WC para deficientes no primeiro piso sem elevador, todos temos uma história dos primórdios que nunca desapareceram apesar da diminuição da quantidade. Agora é tarde, são tempos de aparecer toda a porcaria que “incompetentes sábios” fizeram sem ouvir ninguém. A verdadeira opinião é a do cliente e não o do velho hábito de martelar uma mentira até ser aceite como verdade.

BPN - Mais 600 milhões!!!

A saga ainda não terminou. Já parece a famosa sequela Star Wars, só que esta luta é na Terra, bem real, e neste triste Portugal à beira mar plantado. O Governo fez na passada quarta-feira, dia 15, um aumento de capital de 600 milhões de euros no BPN, sim, viu bem, mais 600 milhões de euros. Esta sexta-feira, durante o debate quinzenal, o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, perguntou ao primeiro-ministro - antes de se saber que a operação tinha sido efetuada dentro do prazo - se a operação de capitalização do BPN não iria acrescer ao défice do Estado para 2012, acusando o executivo de ser responsável por um «prejuízo suplementar» ao que foi tirado em subsídios de Natal aos funcionários públicos no ano passado (e não só!!!). Na resposta, Pedro Passos Coelho garantiu que a operação de capitalização está inscrita nas contas do Estado de 2011 e não de 2012 e que «teria que ser feita qualquer que fosse o resultado da reprivatização». O Governo teria de aumentar o capital do BPN até 15 de Fevereiro para esta despesa ficar inscrita no Orçamento do Estado do ano passado. Hoje, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse também que o processo de venda do BPN ao Banco BIC depende da decisão da Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia (já podem adivinhar qual vai ser a decisão, eheh!!!). No final de Janeiro, numa resposta enviada ao Bloco de Esquerda (BE), o Governo já tinha dito que pretendia fazer um aumento de capital de 600 milhões de euros no BPN, um valor superior aos 500 milhões de euros previstos. A 9 de Dezembro do ano passado, foi assinado o acordo para a compra do BPN pelo BIC. O banco de capitais luso-angolanos pagou, na altura, 10 milhões de euros pela operação, o equivalente a 25 por cento do valor total do negócio, que ascende a 40 milhões de euros. A juntar a este dinheiro convém referir, apenas para refrescar a memória de alguém mais distraído, que o Estado já injetou do dinheiro dos contribuintes neste banco que é uma das maiores burlas de sempre no nosso país, cerca de 2,5 mil milhões de euros...

Presidente da República fugiu!!

Pois é, caros amigos, o Presidente da República, como é seu hábito, fugiu. Não, infelizmente não deixou de vez o nosso país. O Presidente tinha marcado na sua agenda de ontem, no período da manhã, uma visita a uma escola. Nada de extraordinário na vidinha palacial da figura. O que o marquês do boliqueime não estava à espera, era que à porta da instituição estavam cerca de 200 alunos e mais alguns "ajudantes", com muito "sangue na guelra" e de cartazes em punho prontos a dar uma monumental vaia ao homem. Assim que o Presidente soube do que o esperava, deu-lhe uma enorme diarreia (motivo do cancelamento da visita), e toca a cancelar a atividade. Infelizmente, é com este tipo de gente que tempos de contar para levar o nosso país para a frente (mais depressa para o fundo)!

16 de fevereiro de 2012

Funcionários Públicos insatisfeitos podem rescindir

"Os funcionários públicos que entendam que a mobilidade proposta não é solução podem, no seu interesse, negociar a rescisão." Foi desta forma que o deputado almofadinha de 35 anos do CDS-PP, João Almeida, comentou aos órgãos de informação a intenção do Governo de forçar a mobilidade dos trabalhadores para concelhos fora da área onde residem. Uma reacção ao jeito do que é perfeitamente espectável por parte de qualquer um dos membros deste ultra neoliberal governo PSC/CDS. "Ou os funcionários públicos encontram uma solução ou recebem a compensação a que têm direito nos termos da lei", insistiu João Almeida, considerando que, "havendo um programa de rescisões por mútuo acordo, muitos trabalhadores estariam disponíveis para sair". O deputado realçou ainda que o CDS é um defensor da "aproximação entre regimes público e privado". Assim, nem mais, nem menos!!!! Estes indivíduos até já perderam a pouca vergonha que tinham na cara e não têm problemas em assumir claramente que querem arrasar/acabar com a Função Pública. Ainda a este nível, o Governo quer acabar com os incentivos à mobilidade, como é o caso, por exemplo, dos subsídios de residência, fixação ou deslocação ou a garantia de transferência escolar dos filhos. E quem é que acaba com os benefícios/privilégios desta classe política podre e corrupta??? E o Povo continua enganadinho, atrás de gente desta laia...

15 de fevereiro de 2012

Nova vaga de ataques aos Funcionários Públicos!

Não sei o tamanho do ÓDIO, mas é muito grande, de CERTEZA!!! A bola está de novo no campo da Função Pública depois do ataque neoliberal despudorado do governo PSD/CDS, que culminou com a assinatura traidora do acordo em sede de concertação social por parte da UGT. O Governo está a preparar uma reformulação do enquadramento dos vínculos à Função Pública que passa, entre outras medidas, pela redução definitiva das remunerações por horas extraordinárias, pela introdução do banco de horas e por um novo regime de mobilidade geográfica que permita a transferência de trabalhadores, mesmo sem o seu acordo, para conselhos fora das áreas de residência. O objetivo é aproximar o Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas ao Código do Trabalho. Vêm aí mais perda de direitos. As alterações que o Governo pretende introduzir ao Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas constam de um documento tornado público e que foi enviado nas últimas horas aos sindicatos. É o ponto de partida para conversações com as estruturas representativas dos trabalhadores da Administração Pública que têm início na sexta-feira, dia 16 de Fevereiro. O objetivo, dizem eles, é harmonizar o enquadramento contratual da Função Pública com o que acontece no domínio privado. Nos planos do Executivo, que vão ser expostos aos sindicatos pelo secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, estão a introdução do banco de horas individual e grupal e o corte definitivo, para metade, do valor pago por horas extraordinárias, uma medida de austeridade que deveria vigorar apenas até 2013, na vigência do programa de resgate financeiro negociado com a troika. Mas também a supressão de quatro feriados já definida para o setor privado – Corpo de Deus, 15 de Agosto, 5 de Outubro e 1.º de Dezembro – e a introdução de um regime de mobilidade geográfica para “redistribuir recursos humanos” entre serviços de diferentes regiões. O setor público, assinala ainda o texto remetido aos sindicatos, “não se pode dissociar do funcionamento do setor privado”, quando na minha opinião, deveria ser ao contrário. Para já, o Governo exclui alterações ao horário de trabalho da Função Pública, (é apenas uma questão de tempo, aguarde-se) atualmente estabelecido em 35 horas semanais, contra as 40 horas do setor privado. Propõe, por outro lado, o alargamento do período de gozo de férias vencidas do ano anterior para 30 de Abril e a aproximação dos regimes público e privado do direito a férias em caso de doença. Outras propostas a discutir ( não discutem, impõem) com os sindicatos passam pela extinção de 23 carreiras e categorias, entre as quais a carreira de regime especial de “especialista de informática” e a categoria de “consultor de informática”. Desaparecem ainda as categorias de “fiscal de mercados e feiras” e de “fiscal técnico de eletricidade”, passando os trabalhadores nestas condições para a carreira geral de assistente técnico. Com a introdução de um novo regime de mobilidade geográfica, o Governo propõe-se “criar uma figura que permita oferecer algum estímulo” à redistribuição de trabalhadores da Função Pública “entre um serviço com excesso de recursos e outro com escassez”. Com ou sem o consentimento dos profissionais e, eventualmente, para regiões fora dos atuais concelhos de residência. Com a aprovação desta figura, é o encostar da “pistola à cabeça” dos já aflitos trabalhadores da Função Pública. A atual Lei de Vínculos Carreiras e Remunerações, nota o documento da Secretaria de Estado da Administração Pública, enquadra já o mecanismo da mobilidade interna, que “permite alguma mobilidade geográfica sem que se verifique o acordo do trabalhador, mas impõe limites que podem dificultar uma distribuição de recursos humanos mais ajustada às necessidades da Administração Pública”. Este documento nada refere em relação à ADSE, subsistema de saúde da Função Pública, e que este Governo tem clara intenção de delapidar e destruir, na continuação daquilo que o Governo de Sócrates iniciou. É mais uma vez uma questão de timing certo. COMO FUNCIONA O BANCO DE HORAS O mecanismo do banco de horas individual e grupal, consagrado no novo Código do Trabalho, prevê que um trabalhador ou um conjunto de profissionais possam acumular horas extraordinárias a compensar com extensão de férias, descanso ou remuneração. Com o eventual alargamento do banco de horas à Administração Pública, um funcionário do Estado pode ver o seu período de trabalho diário acrescido em duas horas. Quanto à remuneração de horas extraordinárias, prevê-se que o corte que entrou em vigor com o Orçamento do Estado para 2012 se torne definitivo - na primeira hora a remuneração é de 25 por cento e, nas horas subsequentes, de 37,5 por cento; aos fins-de-semana e feriados o acréscimo é de 50 por cento, contra os anteriores 100, e o trabalho extraordinário deixa de ditar descanso compensatório. A eliminação do descanso compensatório e o corte para metade do pagamento do trabalho extraordinário estão vertidos no acordo (de traição) tripartido assinado em sede de concertação social.

14 de fevereiro de 2012

O currículo do 1º Ministro

Nome: Pedro Passos Coelho Morada: Rua da Milharada - Massamá Data de nascimento: 24 de Julho de 1964 Formação académica: licenciatura em economia - Universidade Lusíada (concluída em 2001, com 37 anos de idade) Percurso profissional: até 2004, apenas atividade partidária na JSD e PSD; a partir de 2004 (com 40 anos de idade) passou a desempenhar vários cargos em empresas do amigo e companheiro de partido, engº Ângelo Correia, de quem foi diligente e dedicado 'moço-de-recados', tais como: (2007-2009) administrador executivo da Fomentinvest, SGPS, SA; (2007-2009) presidente da HLC Tejo,SA; (2007-2009) administrador não executivo da Ecoambiente,SA; (2005-2009) presidente da Ribtejo, SA; (2005-2007) administrador não executivo da Tecnidata SGPS; (2005-2007) administrador não executivo da Adtech, SA; (2004-2006) director financeiro da Fomentinvest,SGPS,SA; (2004-2009) administrador delegado da Tejo Ambiente, SA; (2004-2006) administrador financeiro da HLC Tejo,SA. Este é o "magnífico" cv do homem que 'teoricamente' governa este país! Um homem que nunca soube o que era trabalhar até aos 37 anos de idade! Um homem que, mesmo sem ocupação profissional, só conseguiu terminar a licenciatura (numa universidade privada...) com 37 anos de idade! Mais: um homem que, mesmo sem experiência de vida e de trabalho, conseguiu logo obter emprego como administrador... em empresas de Ângelo Correia, "barão" do PSD e seu tutor e patrão político!... e que nesse universo continua a exercer funções!... É este o homem que fala de "esforço de vida" e de "mérito"! É este o homem que goza com as dificuldades daqueles que lutam para sobreviver, acusando-os de pieguices. É este o homem que pretende dar lições de vida a milhares de trabalhadores deste país que nunca chegarão a administradores de empresa alguma, mas que labutam arduamente há muitos e muitos anos nas suas empresas, ganhando ordenados de miséria! É este o homem que, em tom moralista, fala de "boys" e de "compadrios", logo ele que, como se comprova, não precisou de "favores" de ninguém... para arranjar emprego!... Edificante... não é?... Diga lá... dava emprego (que não fosse o de 'moço-de-recados') a alguém com esta 'folha de serviços'? Pois é!!!... Assim, Portugal bem vai depressa para o 'guano'!...